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Mostrando postagens com o rótulo dignidade

Ainda Assim Eu Me Levanto, ( Still I Rise)Maya Angelou

Você pode me marcar na história Com suas mentiras amargas e distorcidas Você pode me esmagar na própria terra Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar. . Meu atrevimento te perturba? O que é que te entristece? É que eu ando como se tivesse poços de petróleo Bombeando na minha sala de estar. . Assim como as luas e como os sóis, Com a certeza das marés, Assim como a esperança brotando, Ainda assim, eu vou me levantar. . Você queria me ver destroçada? Com a cabeça curvada e os olhos baixos? Ombros caindo como lágrimas, Enfraquecidos pelos meus gritos de comoção? . Minha altivez te ofende? Não leve tão a sério Só porque rio como se tivesse minas de ouro Cavadas no meu quintal. . Você pode me fuzilar com suas palavras, Você pode me cortar com seus olhos, Você pode me matar com seu ódio, Mas ainda, como o ar, eu vou me levantar. . Minha sensualidade te perturba? Te surpreende Que eu dance como se tivesse diamantes Entre as minhas coxas? . Saindo das cabanas da vergonha da história ...

A Mendiga e o Samurai

     Conta-se que um bravo samurai viveu na ilha de Hokaido, no norte do Japão. Ele era um senhor feudal  que possuía grandes áreas de terra, tendo, assim, muitos súditos. Tudo adquiriu após diversas batalhas, no comandando as tropas do Imperador.      Certa feita, após uma guerra, voltou para a sua terra natal e decidiu que iria casar-se. Tratava-se de um homem forte e belo e, quando a notícia de que o Samurai desejava casar-se se espalhou, por toda a ilha as mulheres ansiavam por desposá-lo. As mulheres mais bonitas da ilha e de outras ilhas mais distantes o visitavam em seu palácio, sendo que muitas delas lhe ofereceram, além de sua beleza e encantos, muitas riquezas. Nenhuma, contudo,  o satisfez o suficiente para se tornar sua esposa. Um dia, uma jovem maltrapilha e simples  chegou ao palácio do samurai e, com muita luta, conseguiu uma audiência: “Eu não tenho nada material para lhe oferecer, só posso lhe dar o grande amor que sinto por ...

Indignai-vos!, Stéphane Hessel (1)

      Noventa e três anos. Pode-se falar em etapa final. O fim não está longe. Que sorte poder aproveitar para lembrar o que serviu de base ao meu engajamento político: os anos de resistência e o programa elaborado há 66 anos pelo Conselho Nacional de Resistência! Devemos a Jean Moulin, no âmbito desse conselho, a reunião de todos os components da França ocupada, os movimentos, os partidos, os sindicatos, para proclamarem sua adesão à França combatente e ao único chefe que ela reconhecia: o general De Gaulle. De Londres, onde se juntara a De Gaulle em março de 1941, soube que esse Conselho havia organizado um programa e que o tinha adotado em 15 de março de 1944, propondo para a França libertada um conjunto de princípios e de valores sobre os quais se apoiaria a moderna democracia de nosso país.       Mais do que nunca, hoje temos necessidade desses princípios e valores. Precisamos nos manter vigilante, todos juntos, para que esta continue sendo uma s...

Porque É Tão Importante Ver As Estrelas, José Eduardo Agualusa

Esta é a história do meu amigo fortunato, que numa madrugada de pouca sorte acordou nu no corredor de um grande hotel londrino. Fortunato, alto funcionário de administração do Estado, em Luanda, tinha ido a Londres participar num encontro internacional de burocratas. Técnico competente, homem de cultura e bom gosto, incorruptível por natureza e educação, o meu amigo sofre amargamente com a situação do país e a imagem de Angola no exterior.  Ele acredita, um pouco ingenuamente, que cabe a todos os técnicos honestos a missão de melhorar essa imagem.      Nos países da Europa ocidental é fácil a qualquer funcionário manter intacta a integridade moral. O difícil, na verdade, é ser corrupto. Exige, no mínimo, alguma coragem e imaginação. Num país essencialmente corrupto acontece o inverso: um funcionário incorruptível é olhado com suspeita e revolta por toda a gente; com suspeita porque ninguém acredita na sua incorruptibilidade ("alguma coisa aquele tipo deve estar a...

Graciliano Ramos, Político Como Gostaríamos de Ver.

O aniversário de Graciliano Ramos, coincidindo com mudanças em um ministério motivadas por suspeitas de desvios de verbas, me levam a publicar os relatórios administrativos enviados pelo aniversariante ao governo do  estado de Alagoas, quando de sua gestão na prefeitura da cidade de Palmeira dos Índios. Primeiro Relatório  Graciliano Ramos Relatório ao sr. governador Álvaro Paes Receita – 96:924$985 No orçamento do ano passado houve supressão de várias taxas que existiam em 1928. A receita, entretanto, calculada em 68:850$000, atingiu 96:924$985. E não empreguei rigores excessivos. Fiz apenas isto: extingui favores largamente concedidos a pessoas que não precisavam deles e pus termo às extorsões que afligiam os matutos de pequeno valor, ordinariamente raspados, escorchados, esbrugados pelos exatores. (...) Administração – 22:667$748 Figuram 7:034$558 despendidos com a cobrança das rendas, 3:518$000 com a fiscalização e 2:400$000 ...

O Olho da Rua - Eliane Brum

O melhor livro  que li em janeiro deste ano foi O Olho da Rua , uma repórter em  busca da literatura da vida real , de Eliane Brum.  A autora fez uma primorosa grande reportagem. Num livro muitíssimo bem acabado Eliane Brum, conta histórias de lugares e pessoas que jamais seriam notícia caso não passassem por alguma tragédia. A cada assunto (ou pessoa) ela faz em seguida uma análise de como foi feita a matéria narrando também algum desdobramento e ou autocrítica. Destaco a história do nordestino pobre que passava grandecíssimas dificuldades porque estava desempregado. Nada de especial. Quantas pessoas não estão, nesse momento, na mesma situação? A diferença é que a jornalista não explorou esse lado. O sofrimento dele diante das cobranças que recebia e que faziam-no esconder-se envergonhado, foi o que a autora mostrou. Não lembro o nome do conterrâneo, mas foi comovente saber que um homem recusava-se receber ajuda do governo. O livro traz bem claramente o sentimento ...

O Olho da Rua, Eliane Brum

     Terminei ontem um dos mais belos livros que já pude ler:  Olho da Rua, uma repórter em  busca da literatura da vida real.      Não  conhecia a autora, posto  que desde há algum tempo não leio a revista Época onde Eliane Brum publicou as matérias que pôs no livro. Agora que li admito  que minha ignorância sobre ela é imperdoável. O Olho da Rua , traz matérias feitas do cotidiano mais esquecido, diverso em  assunto  e localização, mais pungentemente brasileiro.  A autora diz que  não  sai a mesma de nenhum daqueles momentos e talvez não saiba que o leitor também não fica imune a seu livro.  O Olho da Rua conta histórias, como  a de Hustene, migrante nordestino em  São Paulo cuja dignidade entristece por ser minoritária mas, ao mesmo tempo, dá esperança a quem, como  eu, supunha já não haver mais quem  tivesse vergonha de não produzir.  Hust...