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Mostrando postagens com o rótulo Discurso

Nascido em 5 de Novembro: Rui Barbosa.

…”depois de tanto ver triunfar as nulidades”, o grande  Águia de Haia iria se lamentar e pedir desculpas por tudo  o que havia feito para acabar com a monarquia no Brasil ! Esse espírito foi sintetizado por Rui Barbosa,  quando se penitenciava de seu erro histórico.  Sua sobriedade lhe permitiu avaliar a situação e dizer:      “Havia uma sentinela vigilante, cuja severidade todos temiam, e que, acesa no alto, guardava a redondeza,  como um farol que não se apaga, em proveito da honra,  da justiça e da moralidade. Era o Imperador Dom Pedro II. “ “De tanto ver triunfar as nulidades,  de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer  a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes  nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra,  a ter vergonha de ser honesto …  Essa foi a obra da República nos últimos anos.    ...

Quarta-feira é dia de: Gabriel García Márquez, aniversariante do dia.

          Por vocês       Agora que estamos sozinhos, entre amigos, gostaria de pedir a cumplicidade de todos vocês para que me ajudem a conseguir suportar a lembrança desta tarde, a primeira em minha vida em que vim de corpo presente e em pleno uso de minhas faculdades para fazer ao mesmo tempo duas coisas que eu tinha prometido a mim mesmo não fazer jamais: receber um prêmio e fazer um discurso.      Sempre acreditei, contra outras opiniões muito respeitáveis, que nós, escritores, não viemos ao mundo para sermos coroados, e muitos de vocês sabem que toda homenagem pública é um princípio de embalsamamento. Sempre acreditei, enfim, que nós, escritores não somos escritores por nossos próprios méritos, e sim pela desgraça de não conseguirmos ser outra coisa na vida, e que nosso trabalho solitário não deve merecer mais recompensa nem mais privilégios que os que merece o sapateiro por ...

Ilusões Para o Século XXI, Grabriel García Márquez

          Nos anos 40, o escritor italiano Giovanni Papini enfureceu nossos avós com a frase envenenada: "A América é feita das sobras da Europa." Hoje, temos razões para suspeitar que isso seja verdade, e mais: que a culpa seja nossa.      Simón Bolívar tinha previsto isso, e quis criar em nós  a consciência de uma identidade própria numa linha genial da sua Carta da Jamaica:"Somos um pequeno gênero humano."  Sonhava, e disse, que fôssemos a maior pátria, mais poderosa e a mais unida da terra. No final de seus dias, mortificado por uma dívida com os ingleses que até hoje não acabamos de pagar, e atormantado  pelos franceses que tratavam de vender-lhe os últimos trastes de sua revolução, suplicou a eles, exasperado: "Deixem-nos fazer tranquilos a nossa própria Idade Média." Acabamos sendo um laboratório de ilusões fracassadas. Nossa maior virtude é a criatividade, e no entanto não fizemos outra coisa...