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Mostrando postagens com o rótulo sono

Hora de Dormir, crônica de Fernando Sabino

- Por que não posso ficar vendo televisão? - Porque você tem de dormir. - Por quê? - Porque está na hora, ora essa. - Hora essa? - Além do mais, isso não é programa para menino. - Por quê? - Porque é assunto de gente grande, que você não entende. - Estou entendendo tudo. - Mas não serve para você. É impróprio. - Vai ter mulher pelada? - Que bobagem é essa? Ande, vá dormir que você tem colégio amanhã cedo. - Todo dia eu tenho. - Está bem, todo dia você tem. Agora desligue isso e vá dormir. - Espera um pouquinho. - Não espero não. - Você vai ficar aí vendo e eu não vou. - Fico vendo não, pode desligar. Tenho horror de televisão. Vamos obedeça a seu pai. - Os outros meninos todos dormem tarde, só eu que durmo cedo. - Não tenho nada que ver com os outros meninos; tenho que ver com o meu filho. Já para a cama. - Também eu vou para a cama e não durmo, pronto. Fico acordado a noite toda. - Não comece com coisa não, que eu perco a paciência. - Pode perder. - Deixe de ser malcriado. - Você mesm...

Manhã de Inverno, Machado de Assis

C oroada de névoas, surge a aurora  Por detrás das montanhas do oriente;  Vê-se um resto de sono e de preguiça,  Nos olhos da fantástica indolente.  Névoas enchem de um lado e de outro os morros  Tristes como sinceras sepulturas,  Essas que têm por simples ornamento  Puras capelas, lágrimas mais puras.  A custo rompe o sol; a custo invade  O espaço todo branco; e a luz brilhante  Fulge através do espesso nevoeiro,  Como através de um véu fulge o diamante.  Vento frio, mas brando, agita as folhas  Das laranjeiras úmidas da chuva;  Erma de flores, curva a planta o colo,  E o chão recebe o pranto da viúva.  Gelo não cobre o dorso das montanhas,  Nem enche as folhas trêmulas a neve;  Galhardo moço, o inverno deste clima  Na verde palma a sua história escreve.  Pouco a pouco, dissipam-se no espaço  As névoas da manhã; já ...