Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo aniversário

Motivos, poema de Letícia Letrux

foi sem querer: o pulo que colocou água dentro do teu ouvidoo quiabo no pote que ficou escondido num canto da geladeira por quase três meses a conta de gás caída atrás do móvel da sala minha língua que deu nos dentes na mesa do bar sobre seu defeito mais secreto foi sem querer: (eu chorando no carro no dia do meu aniversário procurando uma vaga há quase uma hora janeiro inferno caos eu só queria dar um mergulho mas não tinha vaga não tinha vaga estava envelhecendo e não tinha uma vaga white people problems você chocado com meu descontrole você me criticando por tornar um passeio tão maravilhoso num caos eu chorando passando marcha e nada de vaga resolvo desistir leblon ipanema copacabana arrisco ir pra urca invento uma vaga já esperando a multa não estamos nos falando parece que você esqueceu que é meu aniversário e que eu posso parece que eu esqueci que meu aniversário não me possibilita de nada o mar está uma lixeira estou tão obsediada que entro assim mesmo afundo no raso e entre de...

O Jeito Que Meu Pai Fala, crônica de Marcílio Godoi

  Salve 4 de outubro, dia do seu Marciano! Lá em casa, quando fazíamos aniversário, meu pai sempre chegava, a um determinada hora do dia, geralmente trazido à força por minha mãe, e perguntava: — Aêooou, Marcs..., (parênteses: meu pai Marciano chamava todos os filhos de Marcs..., que era um genérico de si mesmo que ele aplicava a toda a prole, Marciano, Márcio, Marcelo, Marcus, Marcial, Marcílio...) ouvi dizer que é o seu aniversário hoje? — É, sim, pai. — Então meus parachoques! — ele brincava, de longe, sempre com medo de que um abraço e um beijo — perigo! — formalizassem um parabéns muito afetuoso. Seu Marciano era amoroso, mas não podia deixar isso expresso de forma nenhuma, sob pena de perder o moral. Os filhos, os que sabiam ler a gente no gesto, sabiam disso. E era fácil saber, afinal o ET sempre esteve lá, junto de nós. Não faltava uma vez. Quando atendia o telefone, dizia, meio gritado, para a pessoa do outro lado ouvir quase sem a necessidade ...

Rio Em Flor de Janeiro, Carlos Drummond de Andrade

A gente passa, a gente olha, a gente pára e se extasia. Que aconteceu com esta cidade da noite para o dia? O Rio de Janeiro virou flor nas praças, nos jardins dos edifícios, no Parque do Flamengo nem se fala: é flor é flor é flor, uma soberba flor por sobre todas, e a ela rendo meu tributo apaixonado. Pergunto o nome, ninguém sabe. Quem responde é Baby Vignoli, é Léa Távora. (Homem nenhum sabe nomes vegetais, porém mulher se liga à natureza em raízes, semente, fruto e ninho.) Iúca! Iúca, meu amor deste verão que melhor se chamara primavera. Yucca gloriosa, mexicana dádiva aos canteiros cariocas. Em toda parte a vejo. Em Botafogo, Tijuca, Centro, Ipanema, Paquetá, a ostentar panículas de pérola, eretos lampadários, urnas santas, de majestade simples. Tão rainha, deixa-se florir no alto, coroando folhas pontiagudas e pungentes. A gente olha, a gente estaca e logo uma porção de nomes populares brota da ignorância de nós todos. Essa gorda baiana me sorri: ? Círio de Nossa Senhora? (ou de I...

Onde Vivem Os Monstros, Maurice Sendak - 60 Anos do Melhor Livro Infantil de Todos Os Tempos

O livro escrito em 1963, ficou em primeiro lugar na recente lista da BBC dos melhores livros infantis de todos os tempos Onde Vivem os Monstros  é um daqueles livros disfarçados de “infantil”, mas que tem a  leitura indispensável para pessoas de todas as idades . Se você ainda não conhece a história de Max e seus monstros, vale muito a pena dedicar alguns minutos para a leitura dessa  obra incrível escrita e ilustrada por Maurice Sendak . Max   é um garoto como muitas crianças que conhecemos:   rebelde, birrento e respondão.   Certo dia, a mãe pede para que ele pare de brincar com sua fantasia de lobo e vá jantar.   Ele brada e acaba ficando sem jantar e de castigo.  Tudo muda quando o quarto de Max começa a se transformar em flNo lugar recém descoberto, Max encontra criaturas fantásticas – e monstruosas! Que, de certa maneira, tem diversas  características parecidas com as suas próprias . E, com um rugido, ele é declarado   Rei dos Mon...

Afinal, O Que É Poesia?

  'Afinal, O Que É Poesia?': exposição marca o centenário de João Cabral de Melo Neto no Recife Por causa da pandemia, o centenário do poeta não pôde ser comemorado em 2020.  A exposição acontece agora no Museu Cais do Sertão de 23 de setembro até 20 de novembro. Data: de 23 de setembro a 20 de novembro Horários: de terça a sexta:  10h às 16h  sábados e domingos: 11h às 17h Ingressos: R$10,00 ( inteira) R$5,00 (meia) Nas terças-feiras a entrada é gratuita.

Nascimento - Exílio, Ariano Suassuna

Aqui, o Corvo azul da Suspeição Apodrece nas Frutas violetas, E a Febre escusa, a Rosa da infecção, Canta aos Tigres de verde e malhas pretas. Lá, no pelo de cobre do Alazão, O Bilro de ouro fia a Lã vermelha. Um Pio de metal é o Gavião E suave é o focinho das Ovelhas. Aqui, o Lodo mancha o Gato Pardo: A Lua esverdeada sai do Mangue E apodrece, no medo, o Desbarato. Lá, é fogo e limalha a Estrela esparsa: O Sol da morte luz no sol do Sangue, Mas cresce a Solidão e sonha a Garça. Imagem: ferro dos Suassuna, em Estética Armorial Ariano Suassuna teria feito 95 anos ontem, 16 de junho.

Arrasando Na Terceira Idade: Parabéns Pra Você

      A música mais simples que conheço é a segunda colocada em execução nos últimos 20 anos, secundo o Ecad, Escritório Central de Arrecadação. É o Ecad quem cuida de pagar direitos autorais das músicas.              Parabéns Pra Você, sim essa mesma,  vem abaixo de Michel Teló (Ai se te pego) e acima de Get Lucky (Daft Punk) em execução no Brasil. Essa canção completa hoje 80 anos.  Nosso aplauso para ela!!  Mas vamos saber da história?  Começando do começo lá em 1875...      As irmãs Mildred e Patrícia Smith compuseram uma musiquinha com uma saudação simples para seus alunos da escola de Louisville no Kentucky (USA).   Era apenas: Good morning to all/ good morning to all/good morning to all/ good morning to all.  Anos depois...      Em 1924 a musiquinha foi colocada no livro de partituras Celebrations Songs de Robert Coleman, mas com outra letra: Happy birthday to you/h...

A Infância, Ariano Suassuna

  Sem lei nem Rei, me vi arremessado bem menino a um Planalto pedregoso. Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso, vi o mundo rugir. Tigre maldoso. O cantar do Sertão, Rifle apontado, vinha malhar seu Corpo furioso. Era o Canto demente, sufocado, rugido nos Caminhos sem repouso. E veio o Sonho: e foi despedaçado! E veio o Sangue: o marco iluminado, a luta extraviada e a minha grei! Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo, na Cadeia que estive e em que me acho, a Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei! Fonte: Cultura Genial Imagem: Quinho ( O Estado de Minas)

Eu Te Amo, Chico Buarque e Tom Jobim

Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir Se nós, nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir Se entornaste a nossa sorte pelo chão Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu Como, se na desordem do armário embutido Meu paletó enlaça o teu vestido E o meu sapato inda pisa no teu Como, se nos amamos feito dois pagãos Teus seios inda estão nas minhas mãos Me explica com que cara eu vou sair Não, acho que estás se fazendo de tonta Te dei meus olhos pra tomares conta Agora conta como hei de partir

Oração Ao Tempo, Caetano Veloso

És um senhor tão bonito Quanto a cara do meu filho Tempo, tempo, tempo, tempo Vou te fazer um pedido Tempo, tempo, tempo, tempo Compositor de destinos Tambor de todos os ritmos Tempo, tempo, tempo, tempo Entro num acordo contigo Tempo, tempo, tempo, tempo Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo, tempo, tempo, tempo És um dos deuses mais lindos Tempo, tempo, tempo, tempo Que sejas ainda mais vivo No som do meu estribilho Tempo, tempo, tempo, tempo Ouve bem o que te digo Tempo, tempo, tempo, tempo Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo, tempo, tempo, tempo Quando o tempo for propício Tempo, tempo, tempo, tempo De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo, tempo, tempo, tempo E eu espalhe benefícios Tempo, tempo, tempo, tempo O que usaremos pra isso Fica guardado em sigilo Tempo, tempo, tempo, tempo Apenas contigo e comigo Tempo, tempo, tempo, tempo E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo, tempo,...

Doodle do Google: Cecília Meireles.

Hoje Cecília Meireles faria  113 anos e o google não deixou passar: fez um belo doodle pra grande escritora. Veja também a   Expo:  Cecília Benevides Carvalho Meireles

A Festa de Ziraldo, Carlos Drummond de Andrade

Vou à festa de Ziraldo, vou levando o Jeremias. Ziraldo vai me mostrando o tom de Flicts da Lua. Jeremias, meu compadre, meu anjo da guarda de óculos, dá uma de milagreiro fazendo que a supermãe largue o súper,se tornando mãe comum ao natural. A festa vai esquentando dentro e fora da piscina. Jeremias e Ziraldo ao soar a concertina já se tornam jerizaldo e Ziralmias, no caos? Entra a Rainha, entra o Príncipe da Grã -Britânia ou Caxias, entra toda a macacada com sentido na cerveja, no hot-dog e no restante quase pega ou se fereja, mas Ziraldo, ziraldando, e Jeremias, quebrando o galho de toda gente, me mostram que a melhor festa, de todas a mais bacana, inserida no contexto, está nos livros-mandinga, nos cartoons,bonecos, bolos incomparáveis de um certo mineiro de Caratinga.

Só Eu Que Não Conheço Hannah Arendt!

     Hoje a filósofa e escritora alemã Hannah Arendt faria 108 anos. Eu não conhecia, aprendi agora com o simpático doodle do Google .      Pelo Google fiquei sabendo que o livro mais conhecido dela, A Condição Humana, trata do desenvolvimento histórico da existência humana desde a Grécia Antiga até a Europa.       Existe edição em português de várias outras obras da autora que não gostava de ser chamada de filósofa. Mas era.      Depois de ver este vídeo, tenho de ler Hannah Arendt.

Aniversariantes de maio (4) Carlos Pena Filho

Nunca Fui Amado Autor: Gildo Branco Voz: Célio Roberto  Carlos Pena tinha razão quando escreveu este refrão: "são trinta copos de chope são trinta homens sentados trezentos desejos presos trinta mil sonhos frustrados" eu sou um daqueles trinta foste meu sonho não realizado era meu desejo ter o seu beijo mas amei e nunca fui amado. O poeta recifense Carlos Pena Filho, faria hoje 85 anos. O poema citado nesse frevo canção de 1963 pode ser encontrado aqui . LivroErrante trouxe outros dois belos poemas do autor: Para Fazer Um Soneto   e A Solidão e sua Porta

Aniversariantes de maio (3) Ascenso Ferreira

          Trem de Alagoas O sino bate, o condutor apita o apito, solta o trem de ferro um grito, põe-se logo a caminhar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Mergulham mocambos nos mangues molhados , moleques mulatos, vem vê-lo passar. — Adeus! — Adeus! Mangueiras, coqueiros, cajueiros em flor, cajueiros com frutos já bons de chupar... — Adeus, morena do cabelo cacheado! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Na boca da mata há furnas incríveis que em coisas terríveis nos fazem pensar: — Ali mora o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, ...

Aniversariantes de Maio(1) José de Alencar

Olhos Negros José de Alencar. Aniversário: 1 de maio José de Alencar Eu tenho meus olhos negros Desta minh'alma o condão, É por eles que inda vivo E que morro de paixão. São negros, negros, tão lindos! Porém que maus que eles são! Muito maus! Nunca me dizem O que bem sabem dizer; Não me dão uma esperança E nem ma deixam perder; Andam sempre me enganando, Têm gosto em ver-me sofrer. Por mais terno que os suplique,  Não se condoem de mim; Às vezes fitam-me a furto,  Porém nunca dizem sim.  Ah! olhos negros tão maus,  Nunca vi outros assim. Não quero mais estes olhos! Amo agora umas estrelas Que brilham num céu de anil; Sem receio de ofendê-las, Bebo a luz dos olhos seus; Só vivo agora de vê-las.   Fonte: www.antoniomiranda.com.br Imagem: Alexandre Zaparini 

Estirpe, Cecília Meireles.

Na próxima sexta-feira dia 7.10 Cecília Meireles faria 112 anos. Na página 112 do livro Viagem do amigo internauta Marcio Allain   o poema é: Estirpe Os mendigos maiores não dizem mais, nem fazem nada.  Sabem que é inútil e exaustivo. Deixam-se estar. Deixam-se estar. Deixam-se estar ao  sol  e à chuva, com o mesmo ar de  completa  coragem, longe do corpo que fica em qualquer lugar. Entretêm-se a estender a vida pelo pensamento. Se alguém falar, sua voz foge como um pássaro que cai. E é de  tal  modo imprevista, desnecessária e surpreendente que, para a ouvirem bem, talvez gemessem algum ai.  Oh! não gemiam, não... Os mendigos maiores são todos estóicos. Puseram sua miséria junto aos jardins do  mundo feliz mas não querem que, do outro lado, tenham notícia da estranha sorte que anda por eles como um  rio  num país.  Os mendigos maiores vivem fora da vida: fizeram-se excluídos. Abriram sono...

Menino, Cecília Meireles.

Na próxima sexta-feira dia 7.10, Cecília Meireles faria 112 anos. Pedi e a jornalista Lêda Rivas me disse o que tem na página 112 de um livro que ela tem em casa:  Menino Trouxe um menino. Apanhei-o no bazar de   ouro e prata , onde as joias são como as folhas das mangueiras: milhares, milhares. Tudo ensurdecia: pulseiras, campainhas, brincos e pingentes, argolas para os tornozelos, correntes com guizos, enfeites para tranças, corações com pedra sangrenta, diamantes para a narina. Mas eu só trouxe a criança. Apanhei-a entre os   carrinhos de comida , grãos dourados, gomos de cana, bolinhos fumegantes, frutos de toda casta, biscoitos de pistache e rosa, açúcar em nuvens de algodão. Trouxe o menino. Apanhei-o entre mulheres morenas, lânguidas, sonâmbulas. Entre velhos de barbas imensas, que recitam versículos. Entre mercadores distraídos, de cócoras, que fazem subir e descer douradas balanças. Montes verdes,...