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Mostrando postagens com o rótulo Polônia

Fim e Começo, poema de Wislawa Szymborska (Nobel de 1996)

Depois de cada guerra alguém tem que fazer a faxina. Colocar uma certa ordem que afinal não se faz sozinha. Alguém tem que jogar o entulho para o lado da estrada para que possam passar os carros carregados de corpos. Alguém tem que se atolar no lodo e nas cinzas em molas de sofás em cacos de vidro e em trapos ensanguentados. Alguém tem que arrastar a viga para apoiar a parede, pôr a porta nos caixilhos, envidraçar a janela. A cena não rende foto e leva anos. E todas as câmeras já debandaram para outra guerra. As pontes têm que ser refeitas e também as estações. De tanto arregaçá-las, as mangas ficarão em farrapos. Alguém de vassoura na mão ainda recorda como foi. Alguém escuta meneando a cabeça que se safou. Mas ao seu redor já começam a rondar os que acham tudo muito chato. Às vezes alguém desenterra de sob um arbusto velhos argumentos enferrujados e os arrasta para o lixão. Os que sabiam o que aqui se passou devem dar lugar àqueles que pouco sabem. Ou menos que pouco. E por fim nada ...

Paulina Chiziane a Moçambicana Cátedra da Universidade da Polônia

  A escritora moçambicana Paulina Chiziane está a caminho de Varsóvia, na Polónia, para inaugurar a Cátedra Paulina Chiziane, um marco significativo na promoção da literatura africana no cenário internacional. Nomeada em sua homenagem, a cátedra reconhece a vasta contribuição da autora para a literatura moçambicana e seu papel na defesa da identidade cultural e das vozes femininas, oferecendo um espaço dedicado ao estudo da literatura como meio de construção de identidades culturais, sociais e de gênero. Este evento destaca a importância da literatura como ferramenta para expressar as complexidades humanas, especialmente em sociedades pós-coloniais, e reafirma a visão de Chiziane de que a escrita vai além da arte, servindo também para redefinir identidades e promover o diálogo intercultural e a reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo. (Fonte: Revista da Lusofonia) A escritora, primeira mulher negra ganhadora do Prêmio Camões) tem vários livros editados no Brasil : Balada de Am...

Julgamentos, Czeslaw Milosz

  Tudo passado, tudo esquecido, só fumaça na terra, nuvens soturnas, e, sobre os rios de cinzas, asas em chamas e um sol envenenado se turva e um fulgor de condenação reponta nas marés. Tudo passado, tudo esquecido, então é tempo de te ergueres e fugir, embora não saibas o pouso, a margem além daqui, vês tão só que o mundo arde. E é tempo de odiar o que amaste, de amar o que odiaste, de pisar as faces dos que escolheram a beleza sem alarde. Pelo vazio, pela avenida, por desfiladeiros mudos — onde o vento converte toda voz em murmúrio ou por um sono duro com a cabeça desabada — seguir. Então… Então tudo em mim era grito e chamado. Com seu grito e seu chamado me dilacerava a ceifa de sombrias primaveras. Basta. Basta. Nada se sonhou, afinal. Ninguém sabe nada de ti. É só o vento no arame retesado. Então é tempo. Eu amei essa terra como ninguém poderia em melhor época, quando os dias são felizes e as noites, quietas, quando, sob o arco do ar, sob o portão das nuvens, avulta a grande a...

2 Mulheres Prêmio Nobel. Em Quem Você Aposta?

A manhã a Academia Sueca vai anunciar os dois Prêmios Nobel de Literatura: 2018  e  2019.  Dentre os prováveis ganhadores, 5 são mulheres: Maryse Condé (82) - França -  Eu,Tituba: Bruxa Negra de Salém Anne Carson (68) - Canadá - O Método Albertina Margareth Atwood (79) Canadá - O Conto da Aia Olga Tokarczuk (57) Polônia -  Viagens                                           Lyudmila Ulitskaya  (76) Rússia  - The Funeral Party Leia aqui a lista de todas as mulheres ganhadoras do Nobel de Literatura até o momento.

Esperança, Czeslaw Milosz.

Esperança surge, quando se acredita Que a Terra não é um sonho, mas um corpo vivo, Que não mentem o ouvido, o tacto, a visão E que todas as coisas que aqui conhecias São como um jardim visto do portão. Entrar lá não se pode. Mas ele existe com rigor. Se melhor olhássemos e com mais sabedoria, No jardim do mundo uma nova flor E mais do que uma estrela se avistaria. Há quem diga que os olhos nos iludem E que nada existe, apenas aparenta, Mas justamente esses não têm esperança. Pensar que ao virar as costas O mundo desaparecerá de repente Como que roubado por um delinquente. in “Ocalenic” (Salvação), 1945 Fonte: Vício de Poesia  Leia sobre o autor aqui   e aqui   Obras do autor em português: Testemunho da Poesia   Obras do autor em inglês aqui Fonte: Livraria Cultura

Ciclo da Águas, Moacyr Scliar - VIP 10

Ester, seu pai Mohel - homem que faz a circuncisão entre os judeus -o enigmático Mêndele, o famigerado Leiser, o apaixonado Rafael, a fiel Morena,o larápio Gatinho. Uma pequena aldeia na Polônia, Paris, buenos Aires e, finalmente, Porto Alegre. O Ciclo das Águas se fecha como o destino. vidas de judeus errantes que vonvergem, ao final, com dua fé com sua história e mais nada. Na saga de Ester, a prostituta, perpassam as tragédias e as alegrias. Mulheres que eram trazidas da Europa sob vários pretextos para, na verdade, se prostituirem na América. A América; sonho dourado de uns, pesadelo de outros. Com impecável técnica literária Moacyr Scliar conduz o leitor por mundos longíquos,geralmente duros, cheios de surpresas, aventuras e desventuras. A fé na religião que se dissolve nas águas. Uma história que mostra a história do povo judaico e sua diáspora. O ciclo das águas : ofertado no grupo VIP 10- na comunidade livro errante .