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Mostrando postagens com o rótulo Rio Capibaribe

Morte e Vida Severina. De que trata o poema de João Cabral de Melo Neto?

A história começa com a apresentação do protagonista, cujo nome é Severino. É um retirante. Ele é mais um entre tantos Severinos nordestinos. No seu ato migratório, encontra dois homens que levam um defunto em uma rede. O defunto é Severino Lavrador. Depois, o protagonista segue viagem. O retirante Severino pretendia seguir o rio Capibaribe, que o guiaria em sua jornada. Porém, o rio desapareceu devido à seca. Ainda assim, Severino segue seu caminho por várias vilas da região. Chega a uma casa onde está ocorrendo o velório de mais um Severino. Em seguida, cansado de tanto andar, decide parar e buscar um emprego. Avista uma mulher em uma janela e lhe pergunta sobre um possível emprego. Ela responde que trabalho tem, mas não de lavrador, devido à seca. Ele então vai em direção à Zona da Mata, onde assiste ao enterro de um “trabalhador de eito”. Em seguida, ele caminha rumo a Recife. Em Recife, quando para com o objetivo de descansar, perto do muro de um cemitério, acaba ouvindo a convers...

O Mapa, José Condé

Vejo-me debruçado numa janela da Rua da Aurora, enquanto a noite baixava sobre o rio e a ponte. Contra a luz morrente os sobrados pareciam mais esguios, a sombra arroxeada se projetando imprecisa nas águas escuras do Capibaribe. Lembro-me bem: embora o céu prometese chuva, o ar vibrava sob o calor. De vez em quando, a aragem fresca trazia cheiros estranhos: óleo, maresia e peixe frito; mas também de cajueiros e jaqueiras distantes, da alvarenga abarrotada de abacaxis que estaria navegando na direção do Cais de Santa Rita. A aragem, entretanto, não me acalmava. “Vai ser um estirão de enlouquecer.” As palavras de Albérico iam e vinham, confusas, dentro de mim. Ah, se tivesse sido apenas isso! A lembrança do mapa azul largado em cima da mesa me levava a um pequeno ponto preto – impreciso e quase desnecessário – que seria meu destino: o Poti. Ficava à margem de uma linha grossa e sinuosa, em vermelho, cortando a gravura como uma cobra: o São Francisco. ...

Cão Sem Plumas, João Cabral de Melo Neto (poema na íntegra)

A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada. O rio ora lembrava a língua mansa de um cão, ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo dos olhos de um cão. Aquele rio era como um cão sem plumas. Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, da água do copo de água, da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água. Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem. Sabia da lama como de uma mucosa. Devia saber dos polvos. Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras. Aquele rio jamais se abre aos peixes, ao brilho, à inquietação de faca que há nos peixes. Jamais se abre em peixes. Abre-se em flores pobres e negras como negros. Abre-se numa flora suja e mais mendiga como são os mendigos negros. Abre-se em mangues de folhas duras e crespos como um negro. Liso como o ventre de uma cadela fecunda, o rio cresce sem nunca explodir. Tem, o rio, um parto fluente e invertebrado como o de uma cadela. E jamais o vi ...

O Rio Capibaribe Um Gigante Pernambucano, Roberto Celestino

                                                         Bem na Vila do Araça Município de Poção, Serra do Jacarará Pra banhar a região, Vai se ver nascer um rio Que terá mil desafios Pra cumprir sua missão.                   Corre todo em Pernambuco Esse rio abençoado, Que de  Capibara-ybe Pelos índios foi chamado. E o rio de águas claras Se tornou das Capivaras Assim fora batizado.                        Ele tímido desce a serra Inicia a jornada, Muito tem a percorrer Nessa sua caminhada. Logo chega a Jataúba, E depois que lhe saúda Vai-se embora em disparada. Inda há quarenta e um Municípios pra passar, Banhará muitas cidades Que estão a lhe esperar. E em grande serpenteio, Segue ele seu passeio Ansioso em ver o mar.   ...

O Cão Sem Plumas, João Cabral de Melo Neto

I. Paisagem do Capibaribe A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada. O rio ora lembrava a língua mansa de um cão, ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo dos olhos de um cão. Aquele rio era como um cão sem plumas. Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, da água do copo de água, da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água. Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem. Sabia da lama como de uma mucosa. Devia saber dos polvos. Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras. Aquele rio jamais se abre aos peixes, ao brilho, à inquietação de faca que há nos peixes. Jamais se abre em peixes. Abre-se em flores pobres e negras como negros. Abre-se numa flora suja e mais mendiga como são os mendigos negros. Abre-se em mangues de folhas duras e crespos como um negro. Liso como o ventre de uma cadela fecunda, o rio cresce sem nunca explo...

Capibaribe, Meu Rio - Austro Costa

                             Há algum tempo este blog dedicou-se a publicar Olegário Mariano, poeta pernambucano esquecido na próprio estado.  Antes de ontem, um internauta me cobrou material de Austro Costa. Foi quando descobri que dele só conhecia um poema que é praticamente o único (pouco) divulgado. Perplexa com mais esse esquecimento, me comprometi em publicar o autor.  Capibaribe, meu rio,  espelho do meu sonhar quero fazer-te o elogio, mas penso: Se te elogio, é a mim que estou a elogiar... Capibaribe, meu rio, espelho do meu sonhar... Meu velho Capibaribe meu irmão de sonho e amor... .............................................. Capibaribe, meu rio, Que vida levamos nós! tu corres: eu rodopio... E há quarenta anos a fio: sempre juntos - e tão sós! Capibaribe, meu rio, que vida levamos nós! Ma...