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Mostrando postagens com o rótulo Pirapora

Águas e Mágoas do Rio São Francisco, poema de Carlos Drummond de Andrade

Está secando o velho Chico. Está mirrando, está morrendo. Já não quer saber de lanchas-ônibus, nem de chatas e seus empurradores. Cansou-se de gaiolas e literatura encomiástica e mostra o leito pobre, as pedras, as areias desoladas onde nenhum caboclo-d’água, nenhum minhocão ou cachorrinha-d’água, cativados a nacos de fumo forte, restam para semente de contos fabulosos e assustados. Ei, velho Chico, Já te estranham, meu Chico. Desta vez, encolheste demais. O cemitério de barcos encalhados se desdobra na lama que deixaste. O fio d’água (ou lágrimas?) escorre entre carcaças novas: é brinquedo de curumins, os únicos navios que aceitas transportar com desenfado. Mulheres quebram pedra no pátio ressequido que foi teu leito e esboça teu fantasma. Não escutas, ó Chico, as rezas músicas dos fiéis que em procissão imploram chuva? São amigos que te querem, companheiros que carecem de teu deslizar sem pressa (tão suave que corrias, embora tão artioso que muitas vezes tiravas a terra de um lado e ...

Romaria, Renato Teixeira

É de sonho e de pó O destino de um só Feito eu perdido em pensamentos Sobre o meu cavalo É de laço e de nó De algibeira ou jiló Dessa vida cumprida a sol Sou caipira Pirapora nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura E funda o trem da minha vida Sou caipira Pirapora nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura E funda o trem da minha vida O meu pai foi peão Minha mãe, solidão Meus irmãos perderam-se na vida A custa de aventuras Descasei, joguei Investi, desisti Se há sorte eu não sei, nunca vi Sou caipira Pirapora nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura E funda o trem da minha vida Sou caipira Pirapora nossa Senhora de Aparecida Ilumina a mina escura E funda o trem da minha vida Me disseram, porém, Que eu viesse aqui  Pra pedir de romaria prece, paz nos desaventos como eu não sei rezar Só queria mostrar, meu olhar Meu olhar, meu olhar. Sou caipira, Pirapora...