Quando nasci, nasci menino forte, pra mais de cinco quilos. Era um tempo em que a beleza era medida pelas dobras de gordura nos punhos e os automóveis eram recebidos na roça como naves espaciais. Quem me apanhou do ventre amoroso e obstinado de minha mãe foi dona Anália, parteira dos meus outros oito irmãos, crianças que, como se ouvia naquele tempo, não tinham "querer". Mas que eram recebidas com muita alegria, pois, apesar de serem mais uma boca no mundo, mais um fio pra criar, poderiam ser também mais um bom parzinho de braços para a lavoura. Entre lençóis fartos, alvos e alvejados de placenta, a experiente mestre de cerimônias da vida me acolheu. Como cartão de visitas, apresentei-lhe um xixi imenso, antes mesmo de chorar. Era um tempo sem medicina diagnóstica, quando os prognósticos de saúde ou de doença ainda versavam como matéria da sorte, do destino insondável ou apenas de santos superprotetores mesmo. Se isso mudou, infelizmente mudou pouco, como não ...