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Mostrando postagens com o rótulo padeiro

Louvação, Rubem Braga

Já escrevi sobre isso: mas a coisa me impressionou, e além do mais ainda não recebi os jornais, são seis e quarenta, e Chico Brito combinou de passar às 8 horas para irmos às enxovas. Se começar a procurar assunto, acabo perdendo   a pescaria. E acontece que há pouco , quando acordei,eu estava sonhando com isso. Via um homem de avental e touca, como se fosse um sacerdote, mas um sacerdote em paramentos brancos de padeiro. E ele erguia à luz um pequeno pão branco. A luz era a mesma de meu quarto, um raio de sol fraco e louro: e o pequeno pão brilhava   como hóstia e o homem dizia: “É puro, é puro.”        O jornal deu esse caso do padeiro de Brás de Pina que foi autuado por estar fabricando pão com farinha de trigo pura. Entende-se que a Prefeitura tem razão. Temos pouco trigo – precisamos misturá-lo. O padeiro será punido, mas que ele ouça esse canto matinal em seu favor.      Glória a ti, padeiro de Brás de Pina, padeir...

O Bom Padeiro, Marcos Rodrigues

     N ão havia discordância. Não se consegue um padeiro casado para trabalhar numa ilha com 150 soldados. Mas o coronel Veloso insistiu; ele podia. O anúncio buscava um casal, ele padeiro e ela para serviços de limpeza. Oferecia bom salário, casa com dois cômodos e dois anos de contrato. Apareciam interessados, mas logo na entrevista, quando falavam em 150 soldados, o interesse evanescia. Sobretudo quando esclareciam que era uma companhia formada por três pelotões de 50 soldados cada. O coronel pedia que não usassem a palavra pelotão, que assusta mais que soldado, mas o pessoal esquecia. Foram dois meses seguidos de anúncio no jornal, até que apareceu o Miranda e sua mulher. Surpreendentemente seguro e resoluto. Não pestanejou, o acerto foi rápido e logo foram embarcados. De mala e cuia.      Nem bem chegaram e os pães começaram a sair daquele grande forno, deixado para trás pelos americanos. Na ilha, a vida mudou. Nem tanto pelos pães, qu...