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Mostrando postagens com o rótulo sombra

Vamos Pensar? (13)

 

Frutos, Mia Couto

  A bondade da mangueira não é o fruto. É a sombra. A térrea, quotidiana, abnegada sombra: no inverso do suor colhida, no avesso da mão guardada. Há a estação dos frutos. Ninguém celebra a estação das sombras. Assim, o amor e a paixão: um, fruto; outro, sombra. A suave e cruel mordedura do fruto em tua boca: mais do que entrar em ti eu quero ser tu. O que em mim espanta: não a obra do tempo mas a viagem do Sol na seiva da árvore A arte da mangueira é a veste de sombra embrulhando o seu ventre solar. Para o homem vale a polpa. Para a terra só a semente conta. (em: Tradutor de Chuvas)

Livro Errante: Melhores Leituras de 2020

Carta à Rainha Louca , Maria Valéria Rezende A Lebre Com Olhos de Âmbar , Edmund De Waal Homens Imprudentemente Poéticos , Valter Hugo Mãe O Pecado de Porto Negro , Norberto Morais A Sombra do Vento , Carlos Ruiz Zafón Em 2020  vários  livros circularam entre  18 leitores no grupo LivroErrante . No momento 41 exemplares estão sendo lidos e/ou em trânsito enviados de um leitor a outro pelos Correios.  Os livros acima ( em ordem alfabética) foram os que consideramos nossas melhores leituras.  À parte trago um livro excelente e recém lançado livro: À Meia Voz , de Ladyce West. Já li e recomendo. Vai circular no grupo LivroErrante no próximo ano.

A Dança da Sombra Na Parede, Olegário Mariano

A sombra dança na parede do quarto. Não é minha. Não tem meus gestos nem meus cabelos, Não tem a imobilidade das coisas mortas, Mas tem o instinto dos seres vivos. Abre os braços e chama alguém para junto dela. Este alguém, de olhos velhos e de rosto sulcado, Conserva-se imóvel olhando os seus gestos, Conserva-se imóvel sentindo nos braços O cheiro de rosas que ficou na pele, Que ficou no corpo, que ficou na boca, O gosto de sangue na língua ferida Que a a sombra deixou antes de ser sombra, Quando era, na alvura dos lençóis de linho, Um corpo moreno de gestos elásticos, De boca sangrando, de pernas nervosas, De pele cheirosa nos lençóis de linho. Agora este cheiro, este medo, esta agonia E estes braços de louco querendo arrancar A sombra que dança na parede vazia... (Em: Mundo Encantado, ano:1955- que está incluído no 2º vol. de Toda Uma Vida de Poesia da  Ed. José Olímpio, ano:1957) Leia também: O Poço da Panela ,  de Oleg...