Amazonas: mito grego menos antigo que os mitos da Amazônia. Os que vivem no Cosmo há milênios são perseguidos por mãos de ganância, olhos ávidos: minério, fogo, serragem, fim. Quem são vocês, incendiários desde sempre, ferozes construtores de ruínas? Os que queimam, impunes, a morada ancestral, projetam no céu mapas sombrios: manchas da floresta calcinada, cicatrizes de rios que não renascem. Qual Brasil se esconde atrás da humanidade amazônica? Que triste pátria delida, mais armada que amada: traidora de riquezas e verdades. Quando tudo for deserto, o mundo ouvirá rugidos de fantasmas. E todos vão escutar, numa agonia seca, o eco: Não existirão mundos, novos ou velhos, nem passado ou futuro. No solo de cinzas: o tempo-espaço vazio Fonte: Estadão