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O Fim Que Se Aproxima, Milton Hatoum

Amazonas: mito grego menos antigo que os mitos da Amazônia. Os que vivem no Cosmo há milênios são perseguidos por mãos de ganância,  olhos ávidos: minério, fogo, serragem, fim.  Quem são vocês, incendiários desde sempre,  ferozes construtores de ruínas?  Os que queimam, impunes, a morada ancestral,  projetam no céu mapas sombrios: manchas da floresta calcinada, cicatrizes de rios que não renascem. Qual Brasil se esconde  atrás da humanidade amazônica? Que triste pátria delida, mais armada que amada: traidora de riquezas e verdades. Quando tudo for deserto, o mundo ouvirá rugidos de fantasmas. E todos vão escutar, numa agonia seca,  o eco: Não existirão mundos, novos ou velhos, nem passado ou futuro. No solo de cinzas:  o tempo-espaço vazio Fonte: Estadão

Floresta Incendiada, Cecília Meireles

Quem vai acreditar em incêndios espontâneos da floresta? Eu sofro as minhas dúvidas, porque, sem sair do lugar, levantando apenas os olhos para a janela, vejo essa "espontaneidade" manifestar-se ao mesmo tempo em vários pontos da mata que reveste - ou revestia- este grande bloco de pedra que é o morro Dona Marta. Levanto os olhos porque ouço o crepitar do fogo: e as labaredas já correm por todos os lados, envolvem as árvores com sus fitas vermelhas e amarelas; depois, já não são fitas, mas grandes sudários brilhantes que incham ao vento, palpitam, dilatam-se, rompem-se, atiram-se a outras inúteis, correm pelas ervas baixas, vão mais longe e mais longe, levando nuvens negras que o vento dispersa. As cinzas vêm cair em pedaços na minha varanda. A passarada, sonora de medo, trêmula e sussurrante, procura outras árvores, que não estejam a arder.       E como este fogo anda em volta dos arranha-céus que já foram instalados onde antes a mata verdejava, alguém chama às...