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Mostrando postagens com o rótulo perdão

Aos Nossos Filhos, Ivan Lins e Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada Perdoem a falta de abraço Perdoem a falta de espaço Os dias eram assim Perdoem por tantos perigos Perdoem a falta de abrigo Perdoem a falta de amigos Os dias eram assim Perdoem a falta de folhas Perdoem a falta de ar Perdoem a falta de escolha Os dias eram assim E quando passarem a limpo E quando cortarem os laços E quando soltarem os cintos Façam a festa por mim Quando largarem a mágoa Quando lavarem a alma Quando lavarem a água Lavem os olhos por mim Quando brotarem as flores Quando crescerem as matas Quando colherem os frutos Digam o gosto pra mim Ouça aqui Em: Saudade do Brasil - 1980

Canto Eucarístico, poema de Adélia Prado

Na fila da comunhão percebo à minha frente uma velha, a mulher que há muitos anos crucificou minha vida, por causa de quem meu marido se ajoelhou em soluços diante de mim: "juro pelo magnificat que ela me tentou até eu cair, peço perdão, por alma de meu pai morto, pelo Santíssimo Sacramento, foi só aquela vez, aquela vez só." Coisas atrozes aconteceram. Até tia Cianinha, que morava longe, deu de aparecer na volta do dia. Conversávamos a portas fechadas, ela com um ar no rosto que eu não vira, zangando pouco com o menino, deixando ele reinar. Houve punhos fechados,obeservações científicas sobre a rapidez com que a brilhantina desaparecia do vidro, sobre como pode um homem, num só dia, trocar duas camisas limpas. Irritação, impertinência, uma juventude amaldiçoada tomando conta de tudo, uma alegria - chamei assim à falta de outro nome - invadindo nossa casa com a sofreguidão das coisas do diabo. rezei de modo terrível. O perdão tinha espasmos de cobra malferida e não queria pe...

Música do Mês: Principia, Emicida e Vinicius Leonard Moreira

  Principia Lá-ia, lá-ia, lá-ia Lá-ia, lá-ia, lá-ia Lá-ia, lá-ia, lá-ia Lá-ia, lá-ia, lá-ia Com o cheiro doce da arruda Penso em Buda calmo Tenso eu busco uma ajuda às vezes me vem o Salmo Tira a visão que iluda, é tipo um oftalmo E eu, que vejo além de um palmo Por mim, 'to Ubuntu, ó, uau Se for pra crer num terreno Só no que nós 'tá vendo memo Resumo do plano é baixo, pequeno e mundano Sujo, inferno e veneno Frio, inverno e sereno Repressão e regressão Angústia é eu ter calma e a vida escada tento ler almas pra além da pressão As voz em declive na mão desse Barrabás Onde o milagre jaz Só prova a urgência de livros perante o estrago que um sábio faz O mestre em dívidas avidas Sem noção do que são dádivas No tempo onde a única que ainda corre livre aqui são as suas lágrimas E eu voltei pra acabar tipo infarto Depois fazer renascer, estilo parto Eu me refaço, fato, descarto De pé no chão, homem comum Se a benção vem a mim, reparto Invado cela, sala, quarto Rodeio o globo, hoje ...

Para Seu Alípio, Regina Porto.

    Papai,     Não vim lhe parabenizar. Não convivemos proximamente desde que fiz dez anos e agora você já não está mais aqui pra que lhe peça desculpas olhando nos seus olhos como gostaria.  Sim, era isso que eu queria fazer hoje. Pedir desculpas.      Por anos carreguei uma ideia pesada, ruim mesmo, a seu respeito. As circunstâncias e, talvez, principalmente, o sofrimento de mamãe não me permitiram diferente. Passados tantos anos que você se foi é que amadureci o suficiente para ver o tão óbvio pai possível que você foi.        Você não me empurrou no balanço como nas cenas românticas do dia dos pais da atualidade, mas fez e armou o brinquedo numa árvore pra nós.        Não nos acompanhou nas brincadeiras dentro d'água, mas alertou do perigo da lagoa pra onde, seguindo seus alertas,nunca fomos. A seu modo, como sabia, cuidou de nós.      Nã...