( Para meu pai) Eu nunca soube porque ele não entrou na casa para dar a bicicleta à menina. Ela tinha 8 anos e era Natal, um natal de fim de tarde encandescente e, entre eles, havia uma porta de correr de vidro. Fechada. O quadriculado do vido criava a impressão de rostos disformes e foi assim que a menina o viu quando ele chegou, ele que nem parecia ele. Ela também deve ter surgido outra, através da ilusão que a porta provocava, como se não fosse sua filhinha adorada. No entanto, ao abrir o que os separava, a falsa impressão se dissipou,e os dois, pai e filha, encontraram-se no meio, nem pra fora, nem pra dentro. Simplesmente, em cima do trilho que corria no chão. Ali olharam-se e se abraçaram mais do que podia ser. A presença um do outro fortalecia os dois e fez a menina sentir na pele sensações diferentes que ela coloriu do jeito certo. A ansiedade pareceu branca e arrepiou a nuca. A felicidade amarela deu coceiras, de tanto ela se movimentar. A ...
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