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Mostrando postagens com o rótulo afeto

O Presente, conto de Natascha Duarte

 ( Para meu pai) Eu nunca soube porque ele não entrou na casa para dar a bicicleta à menina. Ela tinha 8 anos e era Natal, um natal de fim de tarde encandescente e, entre eles, havia uma porta de correr de vidro. Fechada. O quadriculado do vido criava a impressão de rostos disformes e foi assim que a menina o viu quando ele chegou, ele que nem parecia ele.  Ela também deve ter surgido outra, através da ilusão que a porta provocava, como se não fosse sua filhinha adorada. No entanto, ao abrir o que os separava, a falsa impressão se dissipou,e os dois, pai e filha, encontraram-se no meio, nem pra fora, nem pra dentro. Simplesmente, em cima do trilho que corria no chão. Ali olharam-se  e se abraçaram mais do que podia ser.      A presença um do outro fortalecia os dois e fez a menina sentir na pele sensações diferentes que ela coloriu do jeito certo. A ansiedade pareceu branca e arrepiou a nuca. A felicidade amarela deu coceiras, de tanto ela se movimentar. A ...

Modo de Amar, Valter Hugo Mãe

 Eu queria era ter um cão, mas a minha mãe diz que os cães fazem muito barulho a ladrar e que, por vezes, mordem. Diz também que se tivermos um cão durante muito tempo ficamos com a cara parecida com o seu focinho. A mim custa-me acreditar, mas é isso que a minha mãe me responde. Nem imagina  o quanto fico infeliz, parecido  a ter vazios por dentro.      Eu pedi:      - E se tivéssemos um gato? Um gato, nem que seja pequeno, para eu brincar.      E a minha mãe respondeu:      - Um gato nunca. Larga pêlo e afia as unhas nos cortinados.       Oh, mãe, um gato quase nem precisa de gente, vive sozinho com o seu nariz. E se fosse um peixe? Um coelho? E se fosse um crocodilo bebé?  - insisti eu.      E ela explicou:      - Os  peixes entristecem num aquário  e os coelhos trincam-te os dedos. Os crocodilos bebés crescem muito para serem crocodilos adultos...

O Menino Das Meias Vermelhas, Carlos Heitor Cony

.                                      Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito. Na hora do recreio ficava afastado dos  colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.      Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.       Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas.       Ele falou, com simplicidade: “no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo.      Colocou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei. Comecei a chorar. Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.           Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas. Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um m...

Pasta de Leitura e Afeto, Regina Porto

          Pensei em discorrer, como fiz em agosto, novamente sobre histórias que os livros carregam além e paralelamente à história escrita pelo autor. Não deu. Estou sem inspiração alguma. Assim, vou só explicar pra quem não sabe: faço parte de um grupo de leitores amigos viciados em livros. Traças. Nós emprestamos livros uns aos outros e fazemos nossos envios pelos correios. Completamos 6 anos em janeiro.            Dentro dos livros que enviamos vão cartões, bilhetinhos, uns mimos... coisinhas que são por si, histórias paralelas. Comentários, críticas, informações... várias coisas, mas basicamente afeto.           Tenho, conforme vi, uma pasta carregadinha de afeto que os livros trouxeram dentro de suas páginas. Mostro algumas coisinhas a seguir. Morram de inveja: 1- Esse tipo de cartãozinho sempre acompanhava livros v...