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Mostrando postagens com o rótulo Hoje é dia de Rachel

Hoje é dia de Rachel

Questionários Rachel de Queiroz Começou o ano de 1959, estava tardando: lá vem o amigo dos questionários (que se assina J. A. Côrrea, de São Paulo). Êle insiste porque sabe que o êxito é certo, os leitores ficam alvoroçados muita gente se interessa por responder também, ou discutir as respostas dadas. Acho que é coisa da natureza humana isso de gostar de ser interpelado e responder, explicar-se, nem que seja para sofrer. Não fôsse assim, como é que os entrevistados em certos programas de televisão se prestariam a expor-se num verdadeiro pelourinho, respondendo a indagações que, ou são indiscretas, ou são descorteses, ou são capciosas, ou são maldosas - e, invariàvelmente, mesmo quando formuladas por amigos, são perguntas de inimigo? Note-se que não censuro os produtores dos programas. Estão no seu papel de bons repórteres, tratando de tirar o máximo de informação e novidades dos seus entrevistados. O que me admira é a cooperação das “vítimas”. Porque se prestam ao interrogató...

Hoje é dia de Rachel de Queiroz:

Louvada Manuel Bandeira  para Rachel de Queiroz Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel, minha amiga, Nata e flor do nosso povo. Ninguém tão Brasil quanto ela, Pois que, com ser do Ceará, Tem de todos os Estados, do Rio Grande ao Pará. Tão Brasil: quero dizer Brasil de toda maneira - Brasília, brasiliense, - Brasiliana, brasileira. Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel e, louvada Uma vez, louvo-a de novo. Louvo a sua inteligência, E louvo o seu coração. Qual maior? Sinceramente, Meus amigos, não sei não. Louvo os seus olhos bonitos, Louvo a sua simpatia. Louvo a sua voz nortista, Louvo o seu amor de tia. Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel, duas vezes Louvada, e louvo-a de novo. Louvo o seu romance: O Quinze E os outros três; louvo As Três Marias especialmente, Mais minhas que de vocês. Louvo a cronista gostosa. Louvo o seu teatro: Lampião E a nossa Beata ...

Réquiem Para Rachel de Queiroz, Murilo Melo Filho

Réquiem para Rachel de Queiroz  *       Cearense de Fortaleza, Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910. E morreu no dia 4 de novembro, portanto às vésperas de completar 93 anos. Ao longo destes anos, tão bem vividos, ela foi sempre uma admirável escritora, que ainda há pouco tempo lançou o livro Tantos anos, escrito a quatro mãos com a irmã Maria Luíza. “Sem ela, não haveria livro, que me arrancou à força. Trabalhamos juntas durante quatro anos, ela me perguntando e eu respondendo”, contava a autora de livros consagrados e referenciais, como O Quinze - escrito quando tinha apenas 20 anos, uma obra pronta e acabada, que a consagrou no universo literário do país. Escreveu também Lampião, A beata Maria do Egito, João Miguel, Caminho de pedras, O galo de ouro, Memorial de Maria Moura, Dôra Doralina e As três Marias, seus dois melhores romances. Transparente, coerente e sincera, com a sensibilidade nordestina à flor da pele, Rachel ofereceu-nos...

Hoje é dia de Rachel: Telha de Vidro (Poesia)

                                                        Telha de Vidro Rachel de Queiroz Quando a moça da cidade chegou veio morar na fazenda, na casa velha... Tão velha! Quem fez aquela casa foi o bisavô... Deram-lhe para dormir a camarinha, uma alcova sem luzes, tão escura! mergulhada na tristura                                                         de sua treva e de sua única portinha... A moça não disse nada, mas mand...

Hoje é dia de: Rachel - Correspondência

Correspondência Rachel de Queiroz     Chega-se de viagem e o amontoado de correspondência nos espera – parece que está crescendo, ou será ilusão de vista, filha do sentimento de culpa? Êsse problema de cartas, para o pobre escritor brasileiro, é dos mais sérios. Respondê-las tôdas seria impossível. E, por outro lado, não há por cá o hábito de encarregar secretários da nossa correspondência particular; a tendência do correspondente seria ressentir-se, ao receber uma folha de papel formal e datilografada por terceiro, em resposta à sua cartinha espontânea e pessoalíssima. Aliás – começa que nem temos secretários. Pelo que sei, só artistas de rádio se podem, entre nós, dar êsse luxo...     Depois – a maioria esmagadora das cartas que recebemos tratam de assunto que secretário nenhum pode resolver: pois, sem exagêro, 90% dos que nos procuram, o seu fim principal é êste: mandar uma amostra do que escrevem e pedir ao jornalista a quem se dirigem uma pala...