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Mostrando postagens com o rótulo Lisboa

Homem Atravessando Pontes, Ronaldo Correia de Brito

Caminha sempre aos domingos, com a devoção de um católico que frequenta a missa. Religiosamente. Bermuda jeans, camisa de malha meio gasta, sandálias de couro no lugar dos tênis e o boné ganho numa loja de construção. Anda dez quilômetros se a bebedeira do sábado não deixou ressaca.       Às cinco da manhã senta na frente do computador; dá os últimos retoques numa conferência ou na pesquisa para não sei qual ministério. Atividades que o mantêm ocupado e à beira do estresse, viajando pelo Brasil, pelo mundo, por universidades e embaixadas. Hospeda-se em hotéis de luxo; recebe diárias e cachês altos. Talvez ganhe bastante dinheiro, nunca se tem certeza. Ele mesmo cria uma atmosfera de mistério em torno desses afazeres alheios às caminhadas e aos encontros com os amigos. Dorme cedo e acorda cedo. Qualquer mudança nesse fuso horário provoca transtornos no humor depressivo.  ⠀ ⠀⠀⠀⠀Trabalha até às 7h50min, sem quebrar o jejum nem mesmo com uma fatia de pão dormido. Às...

Digo: Lisboa, Sophia de Mello Breyner Andressen

  Digo: “Lisboa” Ponte Vasco da Gama Quando atravesso – vinda do sul – o rio E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas – Vejo-a melhor porque a digo Tudo se mostra melhor porque digo Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência Porque digo Lisboa com seu nome de ser e de não-ser Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro Seu conivente sorrir de intriga e máscara Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata Lisboa oscilando como uma grande barca Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência Digo o nome da cidade – Digo para ver.    

A História Acompanha o Leitor..

E se você descobrisse que os personagens do livro que começou a ler no Galeão, vão para Lisboa também, e uma semana depois vão para Paris junto com você? Coincidência? Nem tanto!   Os personagens viajam, sim, junto com você e isso é uma invenção   da FCB para um   programa de milhas. O nome dessa inovação? Trip Book.   Funciona assim: o ebook, usando uma tecnologia (e-paper) criada exclusivamente para o programa de milhagem, identifica onde o leitor/passageiro está e segue com ele. Bem a história que está no e-book com a inovação, conta as aventuras de viagem de   Theo   e   Maria Manoela , casal na faixa dos 40 anos de idade que mora em São Paulo e decide dar um tempo nas obrigações cotidianas. Juntos, eles fazem uma viagem para a mesma cidade onde passaram a primeira lua-de-mel, décadas antes, numa tentativa de reviver  a paixão.   Esse é o ponto inicial do romance escrito por Marcelo Rubens Paiva.   O especial é q...

Fim e Começo, Mariane Fredriksson e José Eduardo Agualusa

Acabei de ler Hanna e Suas Filhas               O  livro me prendeu logo nas primeiras páginas. Contada com franqueza, e lirismo a saga de três gerações que viveu no século XIX na Noruega e Suécia deixa o leitor encantado. As protagonistas, pela ordem cronológica Hanna (avó) Johana (a mãe) e Anna (filha) veem, participam e acompanham as mudanças de suas vidas e do mundo com as mudanças de estação, a guerra de Hittler, a chegada do automóvel na zona rural etc. A força feminina é quem sustenta a história num livro que não é feminista. Qualquer um de nós, pode identificar-se com qualquer personagem ou situação independente de gênero ou idade mesmo estando num país e época tão diferentes como no Brasil de agora.  Recomendo a leitura.  Hanna e Suas Filhas Marianne Fredriksson Últimos parágrafos: "-Tenho  uma chave extra para o estojo. Portanto, agora vou dar uma chave para cada uma d...

Academia Brasileira de Letras - 1º evento do ano

Academia Brasileira de Letras inaugurou em 24 de janeiro, às 19h, na Galeria Manuel Bandeira, a primeira exposição do ano de 2011, intitulada "Aquarelas do Rio". A exibição do artista J. David conta com 31 obras que mostram, sob sua ótica e traços, variadas belezas do Rio de Janeiro. J.David expõe aquarelas tais como a fachada da Academia Quem é J.David? Nasceu em 1934, no Engenho Novo, Rio de Janeiro, recebeu seu primeiro prêmio em desenho, no ano de 1942, em concurso escolar sobre a Segunda Guerra Mundial. Em 1952, entrou como aprendiz de desenhista na Editora Brasil América, e, paralelamente pintando, expõe no Salão Nacional de Belas Artes, em 1963.Em 1966, começa a trabalhar como ilustrador publicitário e, em 1983, é premiado como Ilustrador Publicitário do ano pela Assossiação Brasileira de Propaganda (ABP). Em 1998, já aposentado, viaja à Europa conhecendo os museus do Louvre, D’Orsay, Galeria Degli Uffizi, Academia de Florença, ateliers em Veneza, museu do Vatic...

Lua Adversa,Cecília Meirelles (1901)

Hoje, a carioca Cecília Meirelles , faria 109 anos.  Várias cidades brasileiras , Lisboa e Ponta Delgada (cap. de Açores), a ela dedicaram escolas públicas, bibliotecas, ruas e avenidas. Fagner musicou e canta seu poema Motivo. E o blog a ela dedica este domingo. LUA ADVERSA Cecília Meireles Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha Fases que vão e vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu... Veja outros poemas de Cecília Meireles: aqui , aqui   ah, tem aqui também.

Fernando Pessoa, O que gosto dele?

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925 Livro Errante, não pretende "homenagear" Fernando Pessoa. Tudo já foi feito em todos os lugares e sempre, principalmente em seus muitos aniversários de morte e nascimento.        Então, já que os quatro,Alberto Caeiro,Ricardo Reis Álvaro de Campos capitaneados por Fernando Pessoa, tomaram para si todos os dias que vão de 13 de junho (1888 nascimento em Lisboa) até 30 de novembro (1935, morte em Lisboa), vamos também tomar este espaço, sem data para terminar. Coloque aqui, o que você gosta tanto desse múltiplo e tão fantástico português amado por todos.