Correspondência Rachel de Queiroz Chega-se de viagem e o amontoado de correspondência nos espera – parece que está crescendo, ou será ilusão de vista, filha do sentimento de culpa? Êsse problema de cartas, para o pobre escritor brasileiro, é dos mais sérios. Respondê-las tôdas seria impossível. E, por outro lado, não há por cá o hábito de encarregar secretários da nossa correspondência particular; a tendência do correspondente seria ressentir-se, ao receber uma folha de papel formal e datilografada por terceiro, em resposta à sua cartinha espontânea e pessoalíssima. Aliás – começa que nem temos secretários. Pelo que sei, só artistas de rádio se podem, entre nós, dar êsse luxo... Depois – a maioria esmagadora das cartas que recebemos tratam de assunto que secretário nenhum pode resolver: pois, sem exagêro, 90% dos que nos procuram, o seu fim principal é êste: mandar uma amostra do que escrevem e pedir ao jornalista a quem se dirigem uma pala...
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