O cão tinha um nome por que o chamávamos e por que respondia, mas qual seria o seu nome só o cão obscuramente sabia. Olhava-nos com uns olhos que havia nos seus olhos mas não se via o que ele via, nem se nos via e nos reconhecia de algum modo essencial que nos escapava ou se via o que de nós passava e não o que permanecia, o mistério que nos esclarecia. Onde nós não alcançávamos dentro de nós o cão ia. E aí adormecia dum sono sem remorsos e sem melancolia. Então sonhava o sonho sólido em que existia. E não compreendia. Um dia chamámos pelo cão e ele não estava onde sempre estivera: na sua exclusiva vida. Alguém o chamara por outro nome, um absoluto nome, de muito longe. E o cão partira ao encontro desse nome como chegara: só. E a mãe enterrou-o sob a buganvília dizendo: “É a vida…”