Olha, Daisy: quando eu morrer tá has dedizer aos meus amigos aí em Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grade dor da minha morte. Irás de
Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,
Embora não o saibas, que morro...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar
a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!
Em: O Eu Profundo e Os Outros Eus, seleção poética, Fernando Pessoa, 1976 pág.253

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