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Soneto Já Antigo, Álvaro de Campos


Olha, Daisy: quando eu morrer tá has de
dizer aos meus amigos aí em Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grade dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,

Embora não o saibas, que morro...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!


Em: O Eu Profundo e Os Outros Eus, seleção poética, Fernando Pessoa, 1976 pág.253

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