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Mostrando postagens com o rótulo animais

Sexta-feira, Fernando Sabino

     Eram onze horas da noite de Sexta-Feira da Paixão e eu caminhava sozinho por uma rua deserta de Ipanema, quando tive a gélida sensação de que alguém me seguia. Voltei-me e não vi ninguém.         Prossegui a caminhada e foi como se a pessoa ou a coisa que me seguia tivesse se detido também, agarrada à minha sombra, e logo se pusesse comigo a caminhar.       Tornei a olhar para trás, e desta vez confirmei o pressentimento que tivera, descobrindo meu silencioso seguidor. Era um cão.       A poucos passos de mim, sentado sobre as patas junto à parede de uma casa, ele esperava que eu prosseguisse no meu caminho, fitando-me com olhos grandes de cão. Não sei há quanto tempo se esgueirava atrás de mim, e nem se trocaria o rumo de meus passos pelos de outro que comigo cruzasse. O certo é que me seguia como a um novo dono e me olhava toda vez que me detinha, como se buscasse no meu olhar assentimento para a sua...

Os Zoológicos Nunca me Convenceram, Flávia de Gusmão

Os zoológicos nunca me convenceram, nem quando eu era pequenininha. Uma excrescência nos dias atuais, depósitos de animais ali colocados para servir exclusivamente ao prazer que o ser humano encontra em observar o exótico, o diferente, sem com ele se misturar, defendido, protegido e separado por cercas e fossos. Minha última experiência do naipe remonta alguns anos, quando, por insistência de filhos e sobrinhos, durante uma estada em São Paulo, rendi-me aos apelos de visitar o exemplar daquela cidade, supostamente o melhor que havia no País.                Pode até ser, mas, ainda assim, tinha um defeito grave: era zoológico e, como tal, um museu de seres que sentem e se mexem. Jurei nunca mais, e nunca mais mesmo.Era verão e, só para reforçar, verão paulista, que em nada se compara ao nosso em termos de brisa. E aqui fazendo um adendo, acho uma graça danada quando os sulistas e sudestinos ameaçam achar um...