Francisco tinha três anos quando a mãe, a então servidora pública Letícia Araújo, 49, o levou a um posto de saúde no Varjão, na região norte de Brasília. Ao avistar uma criança da mesma idade, o menino fez um questionamento que estaria prestes a mudar a vida da família. "Ele olhou para a nossa cara e disse: 'Ele (o menino) é preto?' Meu filho não sabia o que era uma pessoa preta", relembrou a mãe. Foi a partir dessa indignação que ela e o marido, Davi Contente, 40, em 2015, decidiram usar uma casa de 46 metros na chácara em que moravam, para dar início à história da Escola da Árvore. "Aqui era a minha churrasqueira", apontou Araújo, fundadora e pedagoga da instituição, ao apresentar o cômodo reformado, que abriga a turma mais nova da escola: Mirindiba. "Eu só comecei a pensar nessa escola quando não achava nenhuma no Plano Piloto que tinha crianças negras. Como que meu filho vai aprender a lidar com o racismo, se ele só tinha coleguinhas brancos?...