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Crônica Cantada: Cotidiano, Chico Buarque de Holanda

Todo dia ela faz tudo sempre igual        
Me sacode às seis horas da manhãMe sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidarE essas coisas que diz toda mulherDiz que está me esperando pr'o jantarE me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder pararMeio-dia eu só penso em dizer nãoDepois penso na vida pra levarE me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperarEla pega e me espera no portãoDiz que está muito louca pra beijarE me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pr'eu não me afastarMeia-noite ela jura eterno amorE me aperta pr'eu quase sufocarE me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igualMe sacode às seis horas da manhãMe sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidarE essas coisas que diz toda mulherDiz que está me esperando pr'o jantarE me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder pararMeio-dia eu só penso em dizer nãoDepois penso na vida pra levarE me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperarEla pega e me espera no portãoDiz que está muito louca pra beijarE me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pr'eu não me afastarMeia-noite ela jura eterno amorE me aperta pr'eu quase sufocarE me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igualMe sacode às seis horas da manhãMe sorri um sorriso pontualE me beija com a boca de hortelã

  Album: Construção. Ano 1971

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