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Mostrando postagens com o rótulo vinicius de moraes

Dia das Mães, Vinicius de Moraes e Laerte

Minha Mãe Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo Tenho medo da vida, minha mãe. Canta a doce cantiga que cantavas Quando eu corria doido ao teu regaço Com medo dos fantasmas do telhado. Nina o meu sono cheio de inquietude Batendo de levinho no meu braço Que estou com muito medo, minha mãe. Repousa a luz amiga dos teus olhos Nos meus olhos sem luz e sem repouso Dize à dor que me espera eternamente Para ir embora. Expulsa a angústia imensa Do meu ser que não quer e que não pode Dá-me um beijo na fronte dolorida Que ela arde de febre, minha mãe. Aninha-me em teu colo como outrora Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas Dorme em sossego, que tua mãe não dorme. Dorme. Os que de há muito te esperavam Cansados já se foram para longe. Perto de ti está tua mãezinha Teu irmão, que o estudo adormeceu Tuas irmãs pisando de levinho Para não despertar o sono teu. Dorme, meu filho, dorme no meu peito Sonha a felicidade. Velo eu. Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo Me apavora a renúncia. Dize que eu ...

Sentido da Primavera, crônica de Vinicius de Moraes

      Ao acordar, naquele dia preliminar da Primavera, senti imediatamente que alguma coisa tinha acontecido de muito fundamental na ordem do mundo. Eu, homem de despertar difícil, pulei da cama tão bem-disposto e leve que, por um momento, assustei-me com a sensação indizível que sentia. Ao pegar o copo habitual para a minha água matutina, notei que se achava cheio de uma substância volátil, penetrada de uma linda cor violeta. E não sei por que bebi do copo vazio, estranguladamente, o ar da Primavera, de gosto azul e fragrância fria, com um peso específico de sonho.      Durante alguns minutos nada me aconteceu. Tomei meu café, fumei um cigarro e dei uma olhada nas coisas. Mas de repente senti que em mim a matéria começava a se transformar. Palpitações violentas confrangeram-me o coração e eu mal conseguia respirar. Vi minha filhinha Susana distorcer-se à minha frente como ante um espelho côncavo e logo em seguida penetrou-me um cheiro tão monumental que pe...

Soneto de Maio, Vinicius de Moraes

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso mel. Raia a aurora tão tímida e tão frágil Que através do seu corpo transparente Dir-se-ia poder-se ver o rosto Carregado de inveja e de presságio Dos irmãos Junho e Julho, friamente Preparando as catástrofes de Agosto... Ouro Preto, maio de 1967 Imagem: Pixabay

As Cores de Abril, Vinicius de Moraes

Os ares de anil O mundo se abriu em flor E pássaros mil Nas flores de abril Voando e fazendo amor O canto gentil De quem bem te viu Num pranto desolador Não chora, me ouviu? Que as cores de abril Não querem saber de dor Olha quanta beleza Tudo é pura visão E a natureza Transforma a vida em canção Sou eu, o poeta, quem diz Vai e canta, meu irmão Ser feliz é viver morto de paixão Ser feliz é viver morto de paixão As cores de abril Os ares de anil O mundo se abriu em flor E pássaros mil Nas flores de abril Voando e fazendo amor O canto gentil De quem bem te viu Num pranto desolador Não chora, me ouviu? Que as cores de abril Não querem saber de dor Olha quanta beleza Tudo é pura visão E a natureza Transforma a vida em canção Sou eu, o poeta, quem diz Vai e canta, meu irmão Ser feliz é viver morto de paixão Ser feliz é viver morto de paixão As cores de abril Os ares de anil O mundo se abriu em flor E pássaros mil Nas flores de abril Voando e fazendo amor O canto gentil De quem bem te viu Nu...

Dois Poemas de Natal: Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa

Poema de Natal Para isso fomos feitos Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra Assim será a nossa vida Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve Ver a noite dormir em silêncio Não há muito o que dizer Uma canção sobre um berço Um verso, talvez, de amor Uma prece por quem se vai Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações se deixem Graves e simples Pois para isso fomos feitos Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte De repente nunca mais esperaremos Hoje a noite é jovem Da morte, apenas nascemos Imensamente.  (Música de Toquinho) Natal Natal… Na província neva. Nos lares aconchegados, Um sentimento conserva Os sentimentos passados. Coração oposto ao mundo, Como a família é verdade! Me...

Pátria Minha, Vinicius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo É minha pátria. Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho Choro de saudades de minha pátria. Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: Não sei. De fato, não sei Como, por que e quando a minha pátria Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água Que elaboram e liquefazem a minha mágoa Em longas lágrimas amargas. Vontade de beijar os olhos de minha pátria De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos... Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias De minha pátria, de minha pátria sem sapatos E sem meias, pátria minha Tão pobrinha! Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho Pátria, eu semente que nasci do vento Eu que não vou e não venho, eu que permaneço Em contato com a dor do tempo, eu elemento De ligação entre a ação e o pensamento Eu fio invisível no espaço de todo adeus Eu, o sem Deus! Tenho-te no entanto em mim como um gemido De flor; tenho-te como...

Soneto de Maio, Vinicius de Moraes

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso mel. Raia a aurora tão tímida e tão frágil Que através do seu corpo transparente Dir-se-ia poder-se ver o rosto Carregado de inveja e de presságio Dos irmãos Junho e Julho, friamente Preparando as catástrofes de Agosto... Fonte: site Vinicius de Moraes Imagem: doodle do Google para o centenário de V.M em 2013

Nascido em 19 de Outubro: Vinicius de Moraes

        Poema de aniversário Porque fizeste anos, Bem-Amada, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte... Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por um homem à sua Amada, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesma. Quisera dar-te também o mar onde nadei menino, o tranqüilo mar de ilha em que perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima – estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito. E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos salt...

MPB - Poesia: Poema dos Olhos da Amada,Vinicius de Moraes

Oh, minha amada Que os olhos teus São cais noturnos Cheios de adeus São docas mansas Trilhando luzes Que brilham longe Longe nos breus Oh, minha amada Que olhos os teus Quanto mistério Nos olhos teus Quantos saveiros Quantos navios Quantos naufrágios Nos olhos teus Oh, minha amada Que olhos os teus Se Deus houvera Fizera-os Deus Pois não os fizera Quem não soubera Que há muitas eras Nos olhos teus Ah, minha amada De olhos ateus Cria a esperança Nos olhos meus De verem um dia O olhar mendigo Da poesia Nos olhos teus. Vinicius de Moraes fez esse poema para o jogador de futebol Heleno de Freitas (Botafogo) quando de seu casamento com Hilma.  Alguns anos depois, Paulo Soledade pôs melodia no poema e Silvio Caldas gravou a música Poema dos Olhos da Amada. Fontes:  Um Sonho em Carne e Osso, Antonio Falcão (Bargaço 2002) e MPBnet Ouça a música aqui

Serenata do Adeus, Vinícius de Moraes. Voz: Clara Nunes

Recado de Primavera, Rubem Braga

                                                                      Meu caro Vinicius de Moraes:      Escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: A Primavera chegou. Você partiu antes. É a primeira Primavera, de 1913 para cá, sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua; e nessa rua, que tem seu nome na placa, vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias. Parece que a moda voltou nesta Primavera — acho que você aprovaria. O mar anda virado; houve uma Lestada muito forte, depois veio um Sudoeste com chuva e frio.   E daqui de minha casa vejo uma vaga de espuma galgar o...

A Casa Materna, Vinícius de Moraes

     Imagem: Regina Porto      Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.      É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e ...

Vinicius de Moraes e Cecília Meirelles

     Esta segunda-feira vem com dois poemas, para ajudar a esclarecer uma confusão feita por alguns internautas, quando Ladyce West publicou no seu blog, Peregrina Cultural, o poema As Borboletas de Vinicius de Moraes.  Em alguns sites e até em livros didáticos a autoria é  dada a Cecília Meirelles.  O blogueira Ladyce está absolutamente certa. O poema é de Vinicius de Moraes e na postagem consta a referência.   Vamos aprender, então?

Marcha da Quarta-feira de cinzas, Vinicius de Moraes e Carlos Lyra

Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Ninguém passa mais brincando feliz E nos corações Saudades e cinzas foi o que restou Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri Se beija e se abraça E sai caminhando Dançando e cantando cantigas de amor E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade A tristeza que a gente tem Qualquer dia vai se acabar Todos vão sorrir Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida, feliz a cantar Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz Tanto amor para amar de que a gente nem sabe Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais Com a beleza dos velhos carnavais Que marchas tão lindas E o povo cantando seu canto de paz Seu canto de paz

100 anos de Vinicius de Moraes

                      Hoje seria o centenário do poetinha Vinicius de Moraes. Nada posso acrescentar sobre ele que já não tenha sido dito. Procurei, então,  uma antologia que tem aqui na casa de meu filho, queria postar o poema da página 100.  Não deu. Nessa página está um poema longo demais para um blog, por isso postei o poema seguinte que eu não conhecia.  Tem também uma música. É só clicar . Estadão/Rádio Eldorado:Especial 100 anos de Vinicius de Moraes O Falso Mendigo   Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda Quero fazer uma poesia. Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado E me trazer muito devagarinho. Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave Quero fazer uma poesia. Se me telefonarem, só estou para Maria Se for o Ministro, só recebo amanhã Se for um trote, me chama depressa Tenho um tédio enorme da vida. Diz a Amélia para ...

Mas é carnaval (2): Vinicius, pela União da Ilha

Carro alegórico - Imagem: Google Vinicius, No Plural. Paixão,Poesia e Carnaval G.R.E.S União da Ilha do Governador - 2013 Surgiu, ao som do mar, um poeta Que brincava na areia Na ilha um menino, sempre a sonhar Fez da sua vida um poema E viveu a declamar "como é bom se apaixonar"! Ó pátria amada, recebe esse menestrel! Voz do morro na folia, orfeu chegou, raiou o dia! Levou a bossa no "tom" d'alegria Se é canto de ossanha menina, então não vá! Um berimbau vai ecoar... Vem, meu camará! "menininha me chamou...vou pra bahia Sou da linha de xangô...caô meu guia Odoyá...yemanjá! A benção meu pai oxalá!" Ê jangada...na luz da manhã já vai navegar Segue pra itapuã, no brilho do sol...é bom vadiar! Um jeitinho que fascina, Num doce balanço que não tem igual Quando abrir a arca de noé... Um riso de criança em cada olhar Enfim, o que importa é amar A noite é sua passarela, O show não pode parar Onde anda...

Crônica cantada (infantil):As abelhas, Vinicius de Moraes

A abelha mestra e as abelhinhas Tão todas prontinhas Para ir para festa Num zune-que-zune Lá vão para o Jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa para o cravo Do cravo para a rosa Da rosa pro favo E de volta para a rosa Venham ver como dão mel ( 4 vezes ) As abelhas do céu. A abelha rainha está sempre cansada Engorda a pancinha E não faz mais nada Num zune-que-zune Lá vão para o Jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa para o cravo Do cravo para a rosa Da rosa pro favo E de volta para a rosa Venham ver como dão mel ( 4 vezes ) As abelhas do céu.

A Arte de Ser Velho, Vinicius de Moraes

      É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós, latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja melhor assim; pois se esse sentimento nos subtrai em vida, no sentido de seu aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em desfrutes de que não está isenta, por exemplo, a ancianidade entre alguns povos europeus e de alhures.      Não estou querendo dizer com isso que todos os nossos velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire. Temo-los tão pilantras como não importa onde, e com a agravante de praticarem seus malfeitos com menos ingenuidade. Mas, como coletividade, não há dúvida que os velhinhos brasileiros têm mais compostura que a maioria da velhorra internacional (tirante, é claro, a China), embora entreguem mais depressa a rapadura.      Talvez nem s...

A Arte de Ser Velho, Vinícius de Moraes

     É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós, latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja melhor assim; pois se esse sentimento nos subtrai em vida, no sentido de seu aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em desfrutes de que não está isenta, por exemplo, a ancianidade entre alguns povos europeus e de alhures.      Não estou querendo dizer com isso que todos os nossos velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire. Temo-los tão pilantras como não importa onde, e com a agravante de praticarem seus malfeitos com menos ingenuidade. Mas, como coletividade, não há dúvida que os velhinhos brasileiros têm mais compostura que a maioria da velhorra internacional (tirante, é claro, a China), embora entreguem mais depressa a rapadura.      Talvez nem seja com...

Horóscopo poético: Gêmeos 21 de maio de 20 de junho

Gêmeos Vinicius de Moraes A mulher de gêmeos Não sabe o que quer Mas tirante isso É uma boa mulher. A mulher de gêmeos Não sabe o que diz Mas tirante isso Faz o homem feliz. A mulher de gêmeos Não sabe o que faz Mas por isso mesmo É boa demais... Demais sígnos já publicados: Aquarius: Peixes Áries: Touro : Leão: Libra: Escorpião Sagitário Capricórnio: Próximas publicações: Câncer Virgem