Cidadão fiscal de rendas, desculpe a liberdade! Obrigado... não se incomode... estou à vontade! A matéria que me traz é algo extraordinária: o lugar do poeta na sociedade proletária.. Ao lado dos donos de terras e senhores industriais estou eu também citado por débitos fiscais. Nós somos proletários e motores da pena. A poesia é como a lavra do rádio - um ano para cada grama. Para extrair uma palavra, milhões de toneladas de palavra-prima. Porém, que flama de uma tal palavra emana perto das brasas da palavra-bruta! Tal palavra põe em luta milhões de corações por milhares de anos. Você conhece por certo o fenômeno rima. Em linguagem de fisco a rima é uma letra a termo fixo para desconto ao fim da linha sem mais prazos. E sai-se à caça da minúcia de flexão ou sufixo na caixa escassa das conjugações e casos. Tenta-se pôr uma palavra nessa linha, ela não cabe, força-se, e se esfarinha. Cidadão fiscal de rendas, eu lhe juro, as palavras custam ao poeta um duro juro. Para nós...
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