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Mostrando postagens com o rótulo Tempo

Como Foi Que o Tempo de Tânia ficou Paralisado Em 1960, crônica de Ignácio de Loyola Brandão

     Era um samba-canção interpretado em todas as boates, em cada piano-bar da noite. O disco vendia como água. A todo momento, passando pelas lojas de discos eu ouvia: Diga que já não me quer, Negue que me pertenceu, Que eu mostro a boca molhada, Ainda marcada pelo beijo seu.*      Aquele refrão ficava em minha cabeça. Tocava no apartamento de Tania mulher, que morava na praça Marechal Deodoro e que me ligava para levá-la às estreias dos filmes. Havia muitas estreias naquele começo de década de 1960, e eu, crítico de cinema, tinha convite para todas. Não sei como Tania descobria, devia ler no jornal. Ela me ligava:      - Amanhã tem estreia. Vamos?      - Vamos.      Ia buscá-la de táxi. depois do cinema, ela insistia em jantar no Gigetto, então restaurante badalado; Tania gostava de ver arristas, queria que eu apresentasse. Quando eu subia até o apartamento dela, ouvia aquela canção: Diga que meu pranto é covar...

Vamos Pensar? (27)

 

Estrela Azul do Céu, Gilberto Gil ( Poemas da MPB)

Do céu do meu balão De antigamente Sumiu de repente Da noite de São João Azul do céu na noite só Papel de seda faz Balão era isso Magia, feitiço Milagre que não tem mais Papel de seda azul e vermelho e amarelo E verde a cintilar Translúcido vitral O balão se elevava, súbito pairava lá no ar Ser sobrenatural Aquela estrela azul do céu O tempo carregou O tempo não falha O tempo atrapalha O tempo não tem pudor A fila anda, a vida vai Propondo a mutação Então de repente Ficou diferente A noite de São João Álbum: Fé na festa , 2010

Oração Ao Tempo, Caetano Veloso

És um senhor tão bonito Quanto a cara do meu filho Tempo, tempo, tempo, tempo Vou te fazer um pedido Tempo, tempo, tempo, tempo Compositor de destinos Tambor de todos os ritmos Tempo, tempo, tempo, tempo Entro num acordo contigo Tempo, tempo, tempo, tempo Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo, tempo, tempo, tempo És um dos deuses mais lindos Tempo, tempo, tempo, tempo Que sejas ainda mais vivo No som do meu estribilho Tempo, tempo, tempo, tempo Ouve bem o que te digo Tempo, tempo, tempo, tempo Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo, tempo, tempo, tempo Quando o tempo for propício Tempo, tempo, tempo, tempo De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo, tempo, tempo, tempo E eu espalhe benefícios Tempo, tempo, tempo, tempo O que usaremos pra isso Fica guardado em sigilo Tempo, tempo, tempo, tempo Apenas contigo e comigo Tempo, tempo, tempo, tempo E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo, tempo,...

As Ruas, Mia Couto

No tempo  em que havia ruas,  ao fim da tarde  minha mãe nos convocava:  era a hora do regresso.  E a rua entrava  connosco em casa.  Tanto o Tempo  morava em nós  que dispensávamos futuro.  Recolhida em meu quarto,  a cidade adormecia  no mesmo embalo da nossa mãe.  À entrada da cama,  eu sacudia a areia dos sonhos  e despertava vidas além.  Entre casa e mundo  nenhuma porta cabia:  que fechadura encerra  os dois lados do infinito?  - Mia Couto, em “Tradutor de chuvas”.  Lisboa: Editorial Caminho, 2011. Nota: o blog manteve a grafia original