conversava menos e beijava mais, os corações aos pulos não tanto pela queria falar com o doutor Severo, o nome de doutor era só enfeite daquele povo temeroso do seu dinheiro e de suas posses de terras, enfrentar logo o patrão e contar tudo. Isso fazia Tonha tremer. Be sabia do que o pai era capaz. Ainda mais quando descobrisse que caçula namorava um empregado seu.
Nesses encontros às escondidas, pensaram em inventar un código simples, mas não tão fácil que os outros compreendessem se pegassem os bilhetes, Pensaram em fazer um que utilizasse consoantes, mas viram que ficava fácil demais. Embaralhar letras números seria trabalho em dobro, precisariam atribuir a cada letra um número. Porém, pensando bem, talvez fosse a solução, pois escreveriam uma chave de correção para decifrar as mensagens E ainda poderiam colocar algumas palavras em inglés que conheciam. Resolveram confiar em Lourdinha, prima de Quincas que trabalhava na cozinha da fazenda, como auxiliar de Zefa, a cozinheira, para o leva e traz de mensagens.
Tonha continuava se fingindo de triste. O corpo de magu não precisava fingir, já fino de tanta tristeza fingida e fome com mesa farta. A mãe aumentou a reclamação, agora porque tinha que consertar pano, o corpo dançando nas roupas de tanta magreza. Até Quincas reclamou que ela estava exagerando. Será que não dava para comer um tanto mais e ser triste só por fora? Não, não dava. Tonha queria convencer que tinha acabado o namoro com Quincas e todos deveriam acreditar que a triste magreza era real.
Tonha acordava cansada e mal assistia às aulas, pensando naquela rede largada no alpendre de casa. Era uma delícia ir-se no balanço, espiar os bichos indo e vindo, o sol derreando a luz la para trás do rio, visto só em uma nesga ao longe. Levantava pouco e o que mais comia era água, descendo fresca garganta abaixo. Tinha preguiça de mastigar e além de água, só comia papa, sopinha, pirão de farinha comida de gente triste, la mostrar ao pai que o melhor era consentir no namoro, se não quisesse vê-la defunta. As aulas não tinham mais bilhetes tão desejados foram ficando esquecidos.
Vendo a hora Tonha morrer, Quincas resolveu falar com o doutor Severo. Pegou o cavalo e foi encontrar o homem lá no cercado onde as reses eram marcadas a ferro. Aproximando-se, o que primeiro viu foi a arma na cintura do capanga posto ao lado do dono. Com o chapéu na mão, o coração tamborilando no peito e a uma distância maior que o braço de Seu Severo, Quincas contou o que estava acontecendo. As últimas palavras o doutor Severo nem ouviu, correndo para o cavalo, galopando de volta para casa.

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