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Mostrando postagens com o rótulo fingimento

Fingimento, conto de Ednice Peixoto

      Quando Tonha resolveu namorar Quincas às escondidas, resolveu também que teria de encontrar uma forma de manter o namoro adiantava falar com Quincas sobre qual maneira seria a melhor, porque sem que as pessoas de casa, principalmente o pai, descobrissem. Não para ele o melhor era fugir e acabar logo com essa história. O pai dela pensava o que, que ele era um cabra safado querendo a riqueza dele? Ele ia mostrar muito bem do que era capaz. Cuidava do gado, cumpria  todas as ordens, mas não era uma rês para andar de cabeça baixa. Estudava, estava terminando o Ensino Médio na escola da cidade, ia encontrar outro tipo de trabalho e casar com Tonha.      A melhor maneira de enganar os de casa era se fingir de triste por ter sido obrigada a acabar o namoro, deixar até de comer. Nem mesmo em Lucinda, a irmā mais velha, poderia confiar. Diabo que só vivia para xeretar a vida dos outros em vez de arranjar uma costela para casar logo, deixando o caminho liv...

Isto, poema de Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto Tudo o que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração. Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda. Por isso escrevo em meio Do que não está ao pé, Livre do meu enleio, Sério do que não é Sentir? Sinta quem lê Em: O Eu Profundo E Os Outros Eus (seleção poética) Fernando Pessoa, pág.104

Fingir Que Está Tudo Bem, José Luís Peixoto

        Fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga. Fonte: Org.com Leia mais de José Luís Peixoto   /  Palavras para minha mãe