- Feita de lata mesquinha, Tendo irmãs de bronze e cobre, Neste covil de miséria. Fui a candeia de um pobre Nascida para alumiar, Como as estrelas do céu, Vivi em trevas: meu dono Poucas vezes me acendeu. Como havia de acender-me? Ao peso da sua cruz, Onde tinha azeite o pobre P'ra me ver florir em luz? Passamos noites bem negras, Órfãos de todo o deleite, Ele, com fome e sem sono, Eu, ceguinha e sem azeite! Ontem, estando o triste a ponto De partir p'ra Eternidade, Doce mão bateu à porta: Era a mão da Caridade... Um pão lhe estendeu piedosa Com um gesto de enternecer: Mas era tarde! O faminto Debalde o tentou comer! No entanto,a mão generosa A doce mão de marfim, D'azeite fino e doirado À farta me enchera a mim. Com tal sangue brilhei tanto, Que a estrela d'alva par'cia; Mas, par'cendo luz de boda Alumiei uma agonia. Tardaste bem, Caridade, Ao pobre de negra sorte, Negando-l...
Poesia, conto, crônica, encontre bons autores e textos aqui.