Os sequestros estão voltando à moda. É verdade que o último terminou bem, mas um dos receios que a gente tem é que a coisa possa se generalizar, passando, por exemplo, da polícia internacional para a polícia familiar. Imagine a seguinte situação. Num sábado à tarde você está em casa, lendo. Sua mulher saiu. De repente vem seu filho e pede que você o leve ao cinema, ou ao parque ou a qualquer lugar. Você diz que não, que está lendo, e que tem tanto direito à leitura como ele à diversão. Ele insiste, você finca pé. Ele sai, fechando a porta atrás de si. Você, ainda que aborrecido, volta à leitura. Um minuto depois, um discreto ruido chama sua atenção. É a chave girando na fechadura. Você dá um pulo, corre até a porta - mas é tarde demais: seu filho acabou de trancá-lo no quarto. Abre esta porta, você ordena, no tom imperioso que sua autoridade paterna exige. Não abro, diz o garoto, e estabelece suas condições: só lhe dará a liberdade s...