Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Poesia portuguesa

Cravos de Abril, Adalberto Monteiro

Os cravos portugueses Sagraram-se Pelo sangue derramado De negros e alvos. Os cravos, o povo português Os porta à mão como quem empunha um fuzil. E ao cravá-los na lapela, Pulsa-lhes um segundo coração. Os cravos portugueses São perfumados e encarnados De hastes altas, altivos mastros. Na primavera suas pétalas São jorros rubros de vinho. Os cravos dessa terra. O povo os semeia, os cultiva, Os celebra. No 25 de abril, Os portugueses adquirem cravos Como quem compra pão. Carregam cravos e desbravam trevas, As mãos seguram cravos como quem conduz Tochas de fogo e luz. Portugal que criou a ciência dos mares, Vê Lisboa alagada pela esperança, Vê, novamente, nos punhos cerrados do povo A bravura de quem venceu a fúria dos oceanos, E a selvageria dos tiranos. Os opressores argumentam, – Os tempos são outros. E para ter, eternamente, Os trabalhadores como escravos, Alardeiam: os cravos de Abril Murcharam, para sempre, irremediavelmente… Esquecem que eles, São viçosos, teimosos e persistentes...

Aniversariante do dia: Fernando Pessoa

A Outra Amamos Sempre no Que Temos     AMAMOS sempre no que temos O que não temos quando amamos. O barco pára, largo os remos E, um a outro, as mãos nos damos. A quem dou as mãos? À Outra. Teus beijos são de mel de boca, São os que sempre pensei dar, E agora e minha boca toca A boca que eu sonhei beijar. De quem é a boca? Da Outra. Os remos já caíram na água, O barco faz o que a água quer. Meus braços vingam minha mágoa No abraço que enfim podem ter. Quem abraço? A Outra. Bem sei, és bela, és quem desejei... Não deixe a vida que eu deseje Mais que o que pode ser teu beijo E poder ser eu que te beije. Beijo, e em quem penso? Na Outra. Os remos vão perdidos já, O barco vai não sei para onde. Que fresco o teu sorriso está, Ah, meu amor, e o que ele esconde! Que é do sorriso Da Outra? Ah, talvez, mortos ambos nós, Num outro rio sem lugar Em outro barco outra vez sós Possamos nos recomeçar Q...

Horóscopo de Vinícius de Moraes, Escorpião

O poetinha me perdoe mas hoje não vou postar seu  poema às mulheres de escorpião. Vinicius não foi feliz no que disse a respeito das escorpianas.  É do poeta português João Pimentel Ferreira o que posto hoje. À minha filha Suzana que é de escorpião e uma mulher sensacional. Dois sonetos de amor à Susana O "princepe" elabora dois sonetos a uma diva que encanta, que veste saia branca e que calça elegantes chinelos pretos. E da mão esquerda delicados dedos acariciam a sua anca. A minha paixão é tanta O seu cabelo: negros filamentos O apelido eu desconheço, mas o seu nome : Susana Desta arte pago o preço de escrever como quem ama E muito já nem peço: Um beijo, prescindo a fama. Olhar deveras cativante uma postura delicada, uma deidade amada por um modesto poeta errante Escreve como Dante uma prosa elaborada sublime, bela e dada ao "Silêncio" relaxante Um intelecto maravilhoso de apenas uma mulher Fiquei indeciso, curioso ...