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Mostrando postagens com o rótulo Ressaca

Nós Três, Paulo Maldonado

     Dirijo de volta, Sílvio emborcado ao meu lado. Passa da meia-noite. Deixamos Pedro no Flamengo e atravessamos Botafogo, em direção à Barra.     Nossos encontros servem de refresco para as aporrinhações do trabalho, mulher e filhos. São a confirmação de nossa amizade, valor maior que cultuamos nesse tempo de puro egoísmo e solidão. As regras foram se estabelecendo naturalmente: só a pedido falamos de assuntos pessoais e de família; evitamos o mau humor e a depressão e só faltamos em casos graves. Discutimos futebol, política, mulheres, assuntos da semana, contamos piadas, falamos mal de conhecidos, fazemos todas as gozações permitidas pela intimidade. Mas, principalmente, enchemos a cara.       Pedro, antes de saltar no Flamengo, reclamou muito, contando que está de saco cheio da mulher, fica acordada esperando ele chegar, cheia de ciúmes, diz que somos viados, tem muita chiação, choro e há semanas ele está dormindo na...

De Ressaca, Luis Fernando Veríssimo

                                        Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo. Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais – as golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconsequentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-lib...