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Mostrando postagens com o rótulo Carmem Vieira

Fechou a Janela e Foi Corrigir Provas, Carmem Vieira

             Chegara tão silencioso que, quando Guardia abriu o quarto, já o viu de cuecas a colocar o pijama. Sobre a cômoda um pacote amarrado com uma fita azul, temia, falava por si, olhava para o chão. A matemática de Osvaldo sobre a cama, um maço de provas e um lápis vermelho preso por um elástico na maçaroca de papéis. Vestiu-se completamente. Acendeu o cigarro e caminhou em direção à mulher que estava à porta segurando um pedaço de linho, agulha e alguns desenhos. Tudo branco. Um raminho de flores.      - A janta está pronta?      - Todos já estão na sala. Esperam-lhe.      -Todos, Joaquim já chegou de escola? Escolástica?      Descobrira Pessoa, Madame Bovary junto a uns figurinos debaixo da cama. Reclamara e veio a promessa de que toda leitura passaria primeiro por suas mãos. Nunca mais vira poesias   e rom...

Uma Janela, Um Voo Para Paris, Carmem Vieira

Espero o voo para Paris e de repente o telefone toca. É minha filha a avisar que assim que chegasse iríamos fazer uma turnê. Ela, o marido, os sogros e um amigo.      -Mãe, aquele da foto que lhe mostrei, o viúvo da universidade. Lembra-se?      Imensas as janelas, permitindo o olhar curioso. Admirava-o a escrever. Sempre uma garrafa d'água, um copo. Tardes contínuas, caminho para ir e voltar da aula de inglês, da ginástica, do vôlei, esperança nutrida por anos de que aqueles olhos vissem o meu. Nada. Nunca. Mudaram-se todos. Mudamo-nos. "Essa casa é grande demais para pouca gente. Você daqui a pouco se forma, seu irmão casa,seu pai sempre na rua. Tenho que e cuidar".      A vida continuou, a roda-viva nos fez cada vez mais distantes e na lembrança o primeiro despertar daquele menino que julgava belo e a quem todos os olhos meus convergiam.      Tudo isso chegou-me quando vi minha filha subir ao altar com o rapaz ...