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Mostrando postagens com o rótulo Copacabana

Chorar Já Não Basta, artigo de Shakira ( Jornal O Globo)

Há uma pergunta que me faço desde o dia em que recebi o convite. Precisei percorrer muito quilômetros e refelti bastante para conseguir respondê-la: por que eu? Por que Copacabana? Por que Rio de Janeiro? Por que agora?      Precisei voltar a um dia em que tudo o que eu havia construido desmoronou. Não foi um processo longo, não houve sinais graduais. Foi uma única manhã em que acordei uma mulher diferente, com uma vida diferente. No dia seguinte, tive de me levantar da mesma forma, preparar o café da manhã, levar as crianças para a escola, atender o telefone, manter a carreira. A vida não dá descanso às mulheres quando elas se veem repentinamente sozinhas, com tudo sobre os ombros.      Precisei me reinventar completamente. Como mãe, provedora, artista, muher. Desse aprendizado, nasceu esta turnê Las Mujeres Ya No Lloran. Não é um grito de vingança nem uma declaração de vitimização. É exatamente o oposto: a serena constatação de que chorar já não basta, há...

Pedro, O Homem da Flor - crônica de Sérgio Porto

     Se você se enquadra entre aqueles que se dizem boêmios ou, pelo menos, entre aqueles que costumam ir, de vez em quando, a um desses muitos barzinhos elegantes de Copacabana, é provavel que já tenha visto alguma vez Pedro - o homem da flor. Se, ao contrário, você é de dormir cedo, então, não. Então, você nunca viu Pedro - o homem da flor - porque jamais ele circulou de dia e não ser lá, na sua favela do Esqueleto.      Quando anoitece Pedro pega a sua clássica cestinha, enche de flores, cujas hastes teve o cuidado de enrolar em papel prateado, e sai do barraco rumo a Copacabana, onde fica até alta madrugad, entrando nos bares, porque Pedro conhece todos - vendendo rosas. Quando a cesta fica vazia, Pedro conta a féria e vai comer qualquer coisa no botequim mais próximo. Depois volta para casa como qualquer funcionário público que tivesse cumprido zelosamente sua tarefa, na repartiçào a que serve.      Conversei uma vez com Pedro - o hom...

O Menino e o Mar, (Prólogo) de Marcelo Gleiser

Um homem se aproxima do seu eu verdadeiro quando atinge a seriedade de duma criança que brinca. Heráclito      O menino firmou sua vara de pesca num tubo afincado na areia e olhou para o mar. As ondas rolavam preguiçosamente até a beira, enquanto o sol descia por trás dos prédios. As moças com seus biquinis minúsculos já haviam partido. Os jogadores de vôlei desciam as redes, pensando no chope que iriam beber com os amigos. A praia de Copacabana suspirava, cansada dos abusos de tanta gente. Restavam apenas o menono e alguns outros pescadores, homens aposentados sem muito o que fazer, barrigas estufadas de tanta cerveja, a pele curtida pelo sol de incontáveis tardes à beira d'água. Conheciam bem o moleque de 11 anos, que retornava ao mesmo local três vezes por semana com disciplina jesuita. A rotina não mudava: três anzóis no final da linha, cada um com uma isca de sardinha ou, quando o dinheiro dava, de camarão. O menino corria até a beira e arremessava os anzóis o mais l...

A Primeira Mulher do Nunes, Rubem Braga

          Hoje, pela volta do meio-dia, fui tomar um táxi naquele ponto da Praça Serzedelo Correia, em Copacabana. Quando me aproximava do ponto notei uma senhora que estava sentada em um banco, voltada para o jardim; nas extremidades do banco estavam sentados dois choferes, mas voltados em posição contraria, de frente para o restaurante da esquina. Enquanto caminhava em direção a um carro, reparei, de relance, na relance, na senhora.           Era bonita e tinha ar de estrangeira; vestia-se com muita simplicidade, mas seu vestido era de um linho bom e as sandálias cor de carne me pareceram finas. De longe podia parecer amiga de um dos motoristas; de perto, apesar da simplicidade de seu vestido, sentia-se que nada tinha a ver com nenhum dos dois. Só o fato de ter sentado naquele banco já parecia indicar tratar-se de uma estrangeira, e não sei por que me veio a idéia de que era uma s...

Eu Tambem Leio - Grupo para adolescentes,

GRUPO DE LEITURA PARA ADOLESCENTES ENTRE 14 e 17 anos. Leitura de 1 livro por mês. Um encontro semanal para discussão do livro em questão. Vagas limitadas. Livraria Única. Em Copacabana. Telefone e faça a sua reserva: ESPAÇO ÚNICA Av. Nossa Sra. de Copacabana 1072/ 1205 Tels: (21) 2247-7895 ou 97190-9834 www.unicagestao.com Se você não tem adolescentes na família, poderia por favor passar essa informação para quem você conhece com adolescentes?  COMPARTILHE! --

Menino de Cidade, Paulo Mendes Campos

           Papai, você deixa eu ter um cabrito no meu sitio?      Deixo.      E porquinho-da-índia? E ariranha? E macaco? E quatro cachorros? E duzentas pombas? E um boi? Um rinoceronte?      Rinoceronte não pode.      Tá bem, mas cavalo pode, não pode?      O sítio é apenas um terreno do Estado do Rio, sem maiores perspectivas imediatas. Mas o garoto precisa acreditar no sítio como outras pessoas precisam acreditar no céu. O céu dele é exatamente o da festa folclórica, a bicharada toda, e ele, que nasceu no Rio e, de má vontade, vive nesta cidade sem animais.      Aliás, ele mesmo desmente que o Rio seja uma cidade sem bicho, possuindo o dom de descobri-los nos lugares mais inesperados. Se entra na casa de alguém, desaparece ao transpor a porta, para voltar depois de três segundos com um gato ou cacho...

Crônica cantada: Pé do meu samba - Caetano Veloso

Dez na maneira e no tom Você é o cheiro bom Da madeira do meu violão Você é a festa da Penha, A feira de São Cristovão, É a Pedra do Sal Você é a Intrépida Trupe A Lona de Guadalupe Você é o Leme e o Pontal Nunca me deixa na mão Você é a canção que consigo Escrever afinal Você é o Buraco Quente A Casa da Mãe Joana É a Vila Isabel, Você é o Largo do Estácio, Curva de Copacabana Tudo que o Rio me deu! Pé do meu samba Chão do meu terreiro Mão do meu carinho Glória em meu Outeiro Tudo para o coração De um brasileiro.