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Mostrando postagens com o rótulo poetas pernambucanos

Num Monumento à Aspirina, João Cabral de Melo Neto.

Claramente: o mais prático dos sóis, o sol de um comprimido de aspirina: de emprego fácil, portátil e barato, compacto de sol na lápide sucinta. Principalmente porque, sol artificial, que nada limita a funcionar de dia, que a noite não expulsa, cada noite, sol imune às leis da meteorologia, a toda hora em que se necessita dele levanta e vem (sempre num claro dia): acende, para secar a aniagem da alma, quará-la, em linhos de um meio-dia. Convergem: a aparência e os efeitos da lente do comprimido de aspirina: o acabamento esmerado desse cristal, polido a esmeril e repolido a lima, prefigura o clima onde ele faz viver e o cartesiano de tudo nesse clima. De outro lado, porque lente interna, de uso interno, por detrás da retina, não serve exclusivamente para o olho a lente, ou o comprimido de aspirina: ela reenfoca, para o corpo inteiro, o borroso de ao redor, e o reafina. (Educação Pela Pedra- 1966)

A Morte do Cisne, Austro Costa

Mil amores cantei. Fáceis amores... Vagas quimeras... leves utopias... Vãos devaneios de que enchi meus dias Nos vinte anos azuis dos sonhadores... Mil amores cantei... mas, entre flores, Beijos, risos, promessas, fantasias, Vi-os bater as asas fugidias... Não me deixaram lágrimas, nem dores. Este, porém, que se aprimora em pranto E renúncia em minh'alma - estranho e santo Amor, a que não trazes teu socorro Este, sim! vale o canto que te ofereço. Ouve-o, e guarda-o! Ele é teu. Será, decerto, O meu canto de Cisne. Canto-o e morro.

Natal, Olegário Mariano.

Presépio artesanal, da exposição Oriundi - SP “Filho! Serás feliz!” – Era a voz de Maria Que entre beijos e lágrimas dizia, Ao ver seu grande filho que nascia De olhos azuis e cabecinha loura. Foi no palácio de uma estrebaria, No berço de ouro de uma manjedoura. Lá fora, em céu tranquilo, uma estrela  luzia. A areia do areal machucada rangia: Eram os passos dos camelos, eram Três vultos numa sombra que crescia... E os Reis Magos trouxeram Para o Senhor do Mundo que dormia Ouro, Mirra e Incenso. Aleluia! Aleluia! Alegria! Alegria! Um era preto como a noite, Outro moreno como a tarde, Outro era claro como o dia. Ajoelharam-se trêmulos de espanto Diante da estrela humana que nascia. Mas, no silêncio, em torno só se ouvia: - “Filho! Serás feliz!”  Sempre a voz de Maria Martirizada, cadenciada. Era mãe e previa No seu saber profundo, Como ia ser rude a jornada E como sofreria Seu pequenino Deus – Senhor do Mundo. ...