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Mostrando postagens com o rótulo Maracanã

Futebol de Rua, Luís Fernando Veríssimo

Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, sabe do que eu estou falando. Futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora. Não sei se alguém, algum dia, por farra ou nostalgia, botou num papel as regras do futebol de rua. Elas seriam mais ou menos assim:   1. A BOLA A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.   2. O GOL O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.   3. O CAMPO O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos clássi...

O Moleque Ricardo, Carlos Benites.

     O menino Ricardo estava feliz. Enfim viveria definitivamente com o pai. Com 14 anos, quase não tinha lembranças físicas de seu pai, o grande escritor Graciliano Ramos. Custou a entender a razão de que só ele ficara em Alagoas, criado pelo avô Américo e sua tia, desde os sete anos de idade, enquanto suas irmãs tinham viajado com a mãe para se encontrarem com o pai. Trazia na memória as férias que passara aos 10 anos no Rio de Janeiro e levou orgulhoso seu boletim para mostrar a seu pai, mas este disse apenas um lacônico “Está bom”. Agora, aos 14 anos, seria diferente. Estaria com as irmãs Clarita e Luiza e a mãe Heloisa. Já não teria que se agarrar às cartas para ter contato com pai e mãe.  Mesmo com a grande distância, nutria um carinho e admiração pelo pai. Até quando os familiares tentavam poupá-lo das notícias cruéis do tempo da prisão de seu pai, ele acompanhava quieto e preocupado cada momento. Desde antes da viagem de sua mãe, ficava sempre com os...

Futebol no Blog

                                  Clima de copa do mundo só dá prejuízo para blogueiros. E com gripe nem tenho   ânimo de encontrar material para trazer, então fui olhar o que tenho aqui sobre ou com alguma ligação com futebol.  Encontrei postagens que foram bastante acessadas:                                    Teve Heleno de Freitas , que tinha sífilis e por causa da doença acabou-se para o futebol. Eu nem sabia, descobri texto de Clarice Lispector sobre futebol e também postei Eu não conheci, mas houve época de álbum de figurinhas e Roberto Pompeu de Toledo fez ótima crônica em No Tempo das Balas Futebol Aqui tem também uma crônica de Armando Nogueira, botafoguense apaixonado.

Na Área, Armando Nogueira

Clarice Lispector: Há uma semana, não encontro no Rio uma pessoa amiga que não me pergunte: “Então, quando é que você vai aceitar o desafio da Clarice Lispector”? (Permita, leitor, explicar que eu tinha pedido, daqui, uma crônica de Clarice Lispector sobre futebol. Ela escreveu, escreveu uma crônica admirável; mas, num impulso de terna vingança, Clarice me multou: desafiou-me a perder o pudor e escrever sobre a vida). Agora, os cobradores de Clarice estão à minha porta, carinhosamente, exigindo a resposta, mas com uma impaciência que me angustia como a véspera de um grande jogo. Que dizer de um jogo que ainda não terminou? E mesmo quando termine, Clarice, o  match  de minha vida não justificará sequer resenha: é match-treino, sem placar, sem juiz, nem multidão. Por tudo! Que está bom assim, embora melhor se fosse uma pelada – mil meninos jogando a minha vida, alheios ao vento que às vezes persegue tanto o time da gente. Jamais seria ...