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Homens Sem Livros, Eduardo Jorge

Prisioneiros se exercitando Van Gogh -1890 Naquele grande prédio cinza ficam os homens sem teses brilhantes.  No café da manhã iniciam a ladainha dos erros, onde poderiam ter sido melhores, detalham cada arrependimento. Imperfeitos, com hálito de anjo, passeiam por outras preferências de pães, pela inexatidão de açúcares e açucenas desfocadas sob fundo negro. Antes que a manhã acabe, deliciam-se com cada ideia sem realização sobre as duzentas páginas que jamais foram cinco, e trocam elogios de gravatas. Ao meio-dia, o zênite. Silêncio, pois pensam no detalhe de cada erro que cresce. Fazem cálculos sobre onde podem ser atacados e por quem. Até escutam os estômagos digerindo o arroz, o frango, as cenouras. No pátio interno há um teatro Boa parte da tarde, encenam ressentimentos com a alegria caindo aos pedaços. À noite, eles se recolhem em suas celas, hora de pensar o erro seguinte. Ali as teorias são frágeis, brilhantes, encantadoras, mas não esper...