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Mostrando postagens com o rótulo passarinho

Passarinho, poema de Marcelo Valença

Quero te falar do tempo das coisas Dos símbolos que as dão os anos Dos vazios que escancaram as ausências E dos signos que as virão preencher Quero te falar do tempo das pessoas Do valor que lhes confere o amor Dos espaços que resultam das escolhas E dos versos que iremos escrever Quero te falar do tempo das dores Do peso que lhes desaba a solidão Do tempo que é mãe das curas E dos caminhos a percorrer Quero te falar do tempo futuro Dos sonhos que lhe dão sentido Da grandeza que acompanha a lição E da semente que vemos crescer Quero te falar do tempo do agora Do amor que aqui te é perene Do regogizo leve ante tua presença E do teu riso, meu prazer

Lua Crescente Em Amsterdã, conto de Lygia Fagundes Telles

     O jovem casal parou diante do jardim e ali ficou, sem palavra ou gesto, apenas olhando. A noite cálida, sem vento. Uma menina loura surgiu na alameda de areia branco-azulada e veio correndo. Ficou a uma certa distância dos forasteiros, observando-os com curiosidade enquanto comia a fatia de bolo que tirou do bolso do avental.      – Vai me dar um pedaço deste bolo? — pediu a jovem estendendo a mão. — Me dá um pedaço, hem, menininha?      – Ela não entende — ele disse. A jovem levou a mão até a boca.      – Comer, comer! Estou com fome — insistiu na mímica que se acelerou, exasperada. — Quero comer!      – Aqui é a Holanda, querida. Ninguém entende.      A menina foi se afastando de costas. E desatou a correr pelo mesmo caminho por onde viera. Ele adiantou-se para chamar a menina e notou então que a estreita alameda se bifurcava em dois longos braços curvos que deviam se dar as mãos lá no fim, ...

Flor do Mandacaru, Wesley Giovanny

Wesley Giovanny Há quem pense que seja só espinho, que não tem cheiro nem sabor; Que é arbusto seco que nasce sozinho; que não dá flores e não muda de cor; Não precisa de cuidados nem de carinho; germina até nos telhados da casas, semente levada pelo vento ou passarinho. Por essa condução, um certo dia, um passarinho pousou em minha mão Deixando uma semente; o vento bateu e caiu no chão; dias após, germina uma flor, A flor mais linda do sertão. Cresceu rapidamente. Brotou os primeiros espinhos; chegando a furar-me. Não por ser rígida, era apenas o jeito em que eu conduzia às minhas mão. Ao compreendê-la, pude trocá-la; os seus espinhos se tornaram macios; feito plumas de algodão. Aparentava ser seca por fora, mas, a sua fibra era tão suculenta que quando apertei, escorreu água em minhas mãos. Água captada por suas raízes, fixadas no lençol freático chamado coração. (Linda flor, simbolismo do sertão). O vento que batia em seu caule e passava entre os espinhos formavam um lindo...