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Mostrando postagens com o rótulo pobreza

Urupês, conto de Monteiro Lobato

     Esboroou-se o balsâmico indianismo de Alencar ao advento dos Rondons que, ao invés de imaginarem índios num gabinete, com reminiscências de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos, metem-se a palmilhar sertões de Winchester em punho.      Morreu Peri, incomparável idealização dum homem natural como o sonhava Rousseau, protótipo de tantas perfeições humanas que no romance, ombro a ombro com altos tipos civilizados, a todos sobrelevava em beleza d’alma e corpo.      Contrapôs-lhe a cruel etnologia dos sertanistas modernos um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz, muscularmente, de arrancar uma palmeira, como incapaz, moralmente, de amar Ceci.      Por felicidade nossa – a de D. Antonio de Mariz – não os viu Alencar; sonhou-os qual Rousseau. Do contrário lá teríamos o filho de Arará a moquear a linda menina num bom braseiro de pau brasil, em vez de acompanhá-la em adoraçã...

Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus

Quando infiltrei na literatura Sonhava so com a ventura Minhalma estava chêia de hianto Eu nao previa o pranto. Ao publicar o Quarto de Despejo Concretisava assim o meu desejo. Que vida. Que alegria. E agora… Casa de alvenaria. Outro livro que vae circular As tristêsas vão duplicar. Os que pedem para eu auxiliar A concretisar os teus desejos Penso: eu devia publicar… – o ‘Quarto de Despejo’. No início vêio adimiração O meu nome circulou a Nação. Surgiu uma escritora favelada. Chama: Carolina Maria de Jesus. E as obras que ela produz Deixou a humanidade habismada No início eu fiquei confusa. Parece que estava oclusa Num estôjo de marfim. Eu era solicitada Era bajulada. Como um querubim.

Mané-Paciência, Olegário Mariano

Mané-Paciência é triste, esquelético e bambo. Barba sem côr, pele rugosa, olhar sem brilho. Se a vida transformou seu corpo num molambo, O infortúnio o adotou como se adota um filho. Pede esmolas, rodando entre as mãos a sacola. O grande chapelão lhe aumenta o ar de inocência. Se alguém dêle sorri quando lhe nega esmola, Mané- Paciência se descobre e diz: paciência... Mas, através daquele corpo, nas encolhas, Vive em sua humildade, uma alma nordestina Que se debruça como uma árvore sem fôlhas Procurando esconder aquela humana ruína. Mané-Paciência é bem  a paisagem nativa, O anônimo infortúnio e a miséria sem nome. Tanto esplendor no céu de uma chama tão via E debaixo do céu tanta gente com fome!

Internauta comenta: Viagem ao Crepúsculo, Samarone Lima

Samarone Lima      É um livro sobre a vida cotidiana em Cuba nos dias atuais.. O autor fez uma viagem á Ilha em 2009 e se depara com uma realidade bem diferente daquela expressa por setores da esquerda brasileira. Samarone resolve então escrever um livro com entrevistas de cubanos, que lutam duramente pela sobrevivência. Não foi preciso teorizar, pois a realidade falou por si só. E o que vemos é uma realidade muito triste. A carência de bens de consumo muito grande. E a renda é insuficiente para sobrevivência: cerca de $ 10 dólares mensais. Quem tem parentes nos Estados Unidos e recebe ajuda aí o padrão de vida melhora consideravelmente. Em Cuba nada funciona sem o suborno, propina. É a lei da selva. Algo me surpreendeu: quando o cubano conhece e confia no visitante aí despeja suas mágoas, fazendo profundas queixas sobre a ditadura dos irmãos Castro.            Teve um depoimento de um velho que foi comove...