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Mostrando postagens com o rótulo quarta-feira é dia

A Crônica Mais Acessada

   Rubem Braga o mais importante cronista do país nasceu na mesma cidade de Roberto Carlos: Cachoeiro de Itapemirim.  Esta é a Casa dos Braga, tombada como patrimônio cultural de Cachoeiro de Itapemirim  foi por muitas décadas a residência  da família do cronista  e seus trabalhos começaram a ser feitos quando ela ainda residia lá.   Finalizando o ano de 2013, trago hoje a crônica mais acessada no blog: Louvação , de Rubem Braga, começa assim:  "Já escrevi sobre isso: mas a coisa me impressionou, e além do mais ainda não recebi os jornais, são seis e quarenta, e Chico Brito combinou de passar às 8 horas para irmos às enxovas. Se começar a procurar assunto, acabo perdendo a pescaria. E acontece que há pouco , quando acordei,eu estava sonhando com isso. Via um homem de avental e touca, como se fosse um sacerdote, mas um sacerdote em paramentos brancos de padeiro."   Continue lendo Louvação.

Caso de Amor, Manoel de Barros

Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim. Eu acho que ela manja que fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. Ela não tem indiferença pelo meu passado. Eu sinto mesmo que ela me reconhece agora, tantos anos depois, Eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre seu corpo. De minha parte eu achei  ela bem acabadinha. Sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. E quando vem  um, ela o segura com carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e  de bichos. Emas passavam sempre por ela esvoaçantes. Bando de caititus a atravessam para ver o rio do outro lado. Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão. Eu falo: deixe deixe meu amor, tudo vai acabar. Numa boa: a gente vai desaparecendo igual q...

Um Pai Arretado, Joca Souza Leão

     Toquei a campainha. Meu neto Pedro abriu a porta e já foi anunciando: “Papai tá todo cagado.” Pensei logo numa tragédia alimentar. “Ele comeu o quê?! “foi Mateus!” De fato. João, meu filho, pai dos dois, Pedro e Mateus, tava que era cocô só, da cabeça aos pés. “Não disse?”, tripudiou Pedro diante da cena.       E Mateus, o cagão, no trocador de fraldas, rindo, cara-de-não-tô-nem- aí.      Pedro tem quase cinco anos; Mateus, dois meses. João tinha acabado de limpar a bunda dele, passando creme, talquinho, essas coisas, pra botar a fralda nova. Quando suspendeu pelos pés, bunda pra cima – ou seja, posição de tiro – o artilheiro disparou. Duas rajadas. As duas na mosca.     João é um pai arretado. Minha nora Juliana não deve ter queixa=as dele nessa área, acho eu. Noutras, não sei.      No dia em que Mateus nasceu, João entrou de férias. E de resguardo. Cada mamada, é ele quem pega Mateus no ...

Quarta-feira é dia de: Gabriel García Márquez, aniversariante do dia.

          Por vocês       Agora que estamos sozinhos, entre amigos, gostaria de pedir a cumplicidade de todos vocês para que me ajudem a conseguir suportar a lembrança desta tarde, a primeira em minha vida em que vim de corpo presente e em pleno uso de minhas faculdades para fazer ao mesmo tempo duas coisas que eu tinha prometido a mim mesmo não fazer jamais: receber um prêmio e fazer um discurso.      Sempre acreditei, contra outras opiniões muito respeitáveis, que nós, escritores, não viemos ao mundo para sermos coroados, e muitos de vocês sabem que toda homenagem pública é um princípio de embalsamamento. Sempre acreditei, enfim, que nós, escritores não somos escritores por nossos próprios méritos, e sim pela desgraça de não conseguirmos ser outra coisa na vida, e que nosso trabalho solitário não deve merecer mais recompensa nem mais privilégios que os que merece o sapateiro por ...

Quarta-feira é dia de: Marques Rebelo

                                                                                Composição de Carnaval      Maria Rosa ficava no fim da serpentina, cabelos deslumbrantes de alvoroço e dourado, bailarina azul,solitária sobre a capota descida do trepidante automóvel.      O corso rodava,vagaroso, com tripla fila, com amplas e seguidas paradas, entre alas de ditos e fantasias - havia corso, então, foi há tanto tempo que os automóveis ainda eram fechados para os donos não sofrerem frio ou poeira e esconderem melhor seus mistérios de amor.   ...

Os Zoológicos Nunca me Convenceram, Flávia de Gusmão

Os zoológicos nunca me convenceram, nem quando eu era pequenininha. Uma excrescência nos dias atuais, depósitos de animais ali colocados para servir exclusivamente ao prazer que o ser humano encontra em observar o exótico, o diferente, sem com ele se misturar, defendido, protegido e separado por cercas e fossos. Minha última experiência do naipe remonta alguns anos, quando, por insistência de filhos e sobrinhos, durante uma estada em São Paulo, rendi-me aos apelos de visitar o exemplar daquela cidade, supostamente o melhor que havia no País.                Pode até ser, mas, ainda assim, tinha um defeito grave: era zoológico e, como tal, um museu de seres que sentem e se mexem. Jurei nunca mais, e nunca mais mesmo.Era verão e, só para reforçar, verão paulista, que em nada se compara ao nosso em termos de brisa. E aqui fazendo um adendo, acho uma graça danada quando os sulistas e sudestinos ameaçam achar um...