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Mostrando postagens com o rótulo romantismo

Mulheres da Fuvest (3): O Africano e o Poeta, poema de Narcisa Amália

Les eclaves... Est-ce qu'ils ont des dieux? Est-ce qu'ils ont des fils, eux qui n'ont point d'aieux? (Lamartine) No canto tristonho Do pobre cativo Que elevo furtivo, Da lua ao clarão; Na lágrima ardente Que escalda-me o rosto, De imenso desgosto Silente expressão;       Quem pensa? - O poeta       Que os carmes sentidos        Concerta aos gemidos        De seu coração. Deixei bem criança Meu pátrio valado, Meu  ninho embalado Da Líbia no ardor; Mas esta saudade Que em túmulo anseio Lacera-me o seio Sulcado de dor,      Que sente? - O poeta      Que o elísio descerra      Que vive na terra      De místico amor!  -Roubaram-me feros A f'ervidos braços; Em rígidos laços Sulquei vasto mar; Mas este queixume Do triste mendigo, Sem pai, sem abrigo, Quem quer escutar?...      Quem quer? O poeta      Que os térreos mistérios ...

Clube Errante: A Dama das Camélias, Alexandre Dumas Filho. Leitura de Outubro

 Um  dos mais célebres romances do século XIX,  A Dama das Camélias , de Alexandre Dumas, o filho, publicado em 1848 com enorme sucesso, foi adaptado, no ano seguinte, para teatro pelo próprio autor, mas só representado em 1852. Conta-nos a história de amor da belíssima plebeia Margarida Gautier com um jovem da alta burguesia francesa, Armand Duval. Deixando o  glamour  de  Paris , os dois amantes retiram-se para o campo, mas o pai de Armand procura impedir esta relação, implorando a Margarida que deixe o filho devido ao bom nome da família. Margarida, infeliz, aceita abandonar o seu amado, dizendo-lhe que está comprometida, mas enquanto tenta esquecê-lo, mergulhando de novo na vida cortesã, adoece gravemente com tuberculose. Quando Armand Duval descobre que a renúncia ao amor por parte de Margarida Gautier resulta da pressão do seu pai, é já muito tarde... A inspiradora deste romance foi a jovem cortesã Marie Duplessi (1824-1847) que Alexandre Dumas filho...

Urupês, conto de Monteiro Lobato

     Esboroou-se o balsâmico indianismo de Alencar ao advento dos Rondons que, ao invés de imaginarem índios num gabinete, com reminiscências de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos, metem-se a palmilhar sertões de Winchester em punho.      Morreu Peri, incomparável idealização dum homem natural como o sonhava Rousseau, protótipo de tantas perfeições humanas que no romance, ombro a ombro com altos tipos civilizados, a todos sobrelevava em beleza d’alma e corpo.      Contrapôs-lhe a cruel etnologia dos sertanistas modernos um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz, muscularmente, de arrancar uma palmeira, como incapaz, moralmente, de amar Ceci.      Por felicidade nossa – a de D. Antonio de Mariz – não os viu Alencar; sonhou-os qual Rousseau. Do contrário lá teríamos o filho de Arará a moquear a linda menina num bom braseiro de pau brasil, em vez de acompanhá-la em adoraçã...

Maria Firmina dos Reis. Não Conhece? Vem Comigo, Então

      São Luís, 11 de agosto de 1860. Logo nas primeiras páginas do jornal  A Moderação , anunciava-se o lançamento do romance   Úrsula , “original brasileiro”. O anúncio poderia passar despercebido, mas algo chamava atenção em suas últimas linhas: a autoria feminina da “exma. Sra. D. Maria Firmina dos Reis, professora pública em Guimarães”. Foi assim, por meio de uma simples nota, que a cidade de São Luís conheceu Maria Firmina dos Reis – considerada a primeira escritora brasileira, pioneira na crítica antiescravista da nossa literatura. Negra, filha de mãe branca e pai negro, registrada sob o nome de um pai ilegítimo e nascida na Ilha de São Luis, no Maranhão, Maria Firmina dos Reis (1822 – 1917) fez de seu primeiro romance,  Úrsula  (1859), algo até então impensável: um instrumento de crítica à escravidão por meio da humanização de personagens escravizados. “Em sua literatura, os escravos são nobres e generosos. Estão em pé de igualdade co...

Ela, Machado de Assis

Nana, Edouard Manet, Museu D'orsey Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto amor Onde com rara beleza, Se esmerou a natureza Com meiguice e com primor Suas faces purpurinas De rubras cores divinas De mago brilho e condão; Meigas faces que harmonia Inspira em doce poesia Ao meu terno coração! Sua boca meiga e breve, Onde um sorriso de leve Com doçura se desliza, Ornando purpúrea cor, Celestes lábios de amor Que com neve se harmoniza. Com sua boca mimosa Solta voz harmoniosa Que inspira ardente paixão, Dos lábios de Querubim Eu quisera ouvir um -sim- P’ra alívio do coração! Vem, ó anjo de candura, Fazer a dita, a ventura De minh’alma, sem vigor; Donzela, vem dar-lhe alento, “Dá-lhe um suspiro de amor!” Em: A alma e O utros Poemas, Machado de Assis - Ed. G lobo  Nota: este poema foi escrito em 1855, quando o autor tinha apenas 16 anos

Haverá o Dia, César Feitoza

Haverá um dia em que as flores do nosso jardim murcharão Por falta de água ou amor ou os dois E este jardim apenas existirá na minha memória pois Dele veio o nosso mais belo fruto Um rebento forte, inteligente e arguto Que prova ao mundo que o jardim não terá sido em vão. Haverá um dia em que o teu cheiro Será apenas como o cheiro de alguém na rua E que a silhueta do teu corpo inteiro Jazendo nu em meio à cama nua Será apenas um passado distante De alguém que um dia se fez teu amante Haverá um dia em que o lirismo, a dor e a poesia Não rimarão mais o amor, você e eu Não haverá sofrer e tampouco fantasia Como alguém que era cego e agora via Como um músico que tocasse com maestria E percebesse então um dia que seu público morreu Haverá um dia em que Montenegro, Russo ou Belchior Ou mesmo Chico “trocando em miúdos” Não farão mais sentido como fazem agora E ao cantar não me deixarão mudo Por que para cada arrebol tem uma aurora ...

A Órfã na Costura, Junqueira Freire

Clique na imagem Minha mãe era bonita, Era toda a minha dita, Era todo o meu amor Seu cabelo era tão louro, Que nem fita de ouro Tinha tamanho esplendor Suas madeixas luzidas Lhe caiam tão compridas Que vinham aos pés beijar Quando ouvia as minhas queixas, Em suas áureas madeixas, Ela vinha me embrulhar