Primeira mulher negra e africana a vencer o prêmio Camões, maior distinção da literatura lusófona, a escritora moçambicana Paulina Chiziane, 67, recebeu oficialmente a láurea nesta sexta-feira, em Lisboa. Em discurso na cerimônia, a ganhadora do prêmio de 2021 pediu a descolonização da língua portuguesa. "É na língua portuguesa que eu expresso os meus sentimentos e me afirmo diante do mundo. Mas eu gostaria que a língua fosse de todos", afirmou. "A língua portuguesa, para ser definitivamente nossa, precisa de um tratamento, de uma limpeza, de uma descolonização", completou. Chiziane falou de "algumas especificidades" do português que a incomodam e elencou uma série de palavras que, nos dicionários, têm textos com considerações preconceituosas em relação a populações africanas. Um dos exemplos citados foi catinga, que no livro citado por ela era um termo definido como "cheiro nauseabundo característico da raça negra". "Somos usurpados, os af...
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