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Mostrando postagens com o rótulo circuito da poesia

O Discurso e o Deserto, Janice Japiassu

Com o acre mel do deserto De ouro veste-se o nome Pronunciado na guerra O sol fecunda as espadas Retesa o arco certeiro E o sete nasce da pedra No silêncio alumioso Da noite mal-assombrada Mistura o grito viçoso Eis a palavra afiada Nos pastos da solidão Dentro do silêncio limpo Voz de toda precisão Fonte: Jornal da Poesia Leia aqui sobe Janice Japiassu                                                                                                                                                                 

Eu E Os Poetas do Recife, Manuel Bandeira

                        Desenho de Romero Brito Manuel Bandeira do Circuito da Poesia está em uma das margens do Rio Capibaribe, no centro da cidade.  Na mesma margem onde se encontra  João Cabral de Melo Neto que o blog já mostrou.  Infelizmente alguém de pouquíssima educação pixou toda a estátua do poeta e, por essa razão, as imagens que tenho foram feitas no Espaço Pasárgada, na Rua da União que era a casa do  avô e onde ele passou a infância. Rimancete À dona de seu encanto À bem-amada pudica, Por quem se desvela tanto Por quem tanto se dedica, Olhos lavados em pranto, O seu amante suplica: O que me darás, donzela, Por preço de meu amor? -Dou-te os meus olhos (disse ela), Os meus olhos sem senhor... -Ai não me fales assim! Que uma esperança tão bela Nunca será para mim! O que me darás, donzela, Por preço de meu amor? -Dou-te os meus lábios (disse ela), Os meus lábios sem senh...

Eu E Os Poetas do Recife, Joaquim Cardozo

                                                 Estive com Antônio Maria, Mauro Mota, Chico Science  e Carlos Pena Filho.   Passando pela ponte Maurício de Nassau, uma das várias que ligam o Recife Antigo ao bairro de Santo Antônio, encontrei com Joaquim Cardozo.  Ele dizia que não era bem um poeta, sua vida é que era cheia de hiatos de poesia.  Ah, você está me perguntando porque da foto da Igreja da Pampulha?  Tudo bem: o poeta Joaquim Cardozo era engenheiro. Trabalhou com Oscar Niemeyer nas mais conhecidas obras do arquiteto aqui no Brasil.  " Não visualizo qualquer incompatibilidade entre poesia e a arquitetura. As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias. Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia." (Joaquim Cardozo) Soneto da Vinda És a vida? És ...

Eu e os poetas do Recife, Manuel Bandeira

                  As imagens ao lado foram feitas no Espaço Pasárgada  que fica na Rua da União.   Manuel Bandeira refere-se à casa do avô no  do verso: "... tudo lá parecia impregnado de eternidade" .                    Acima estou com um boneco gigante de Manuel Bandeira, que sai no carnaval.  Abaixo, MB num desenho de Romero Brito. Posto um poema de que não lembrava, apesar de já ter lido, todos os livros do poeta. O Súcubo Quando em  silencio a casa adormecia e vinha Ao meu quarto a aromada emanação dos matos, Deslizáveis astuta, amorosa e daninha Propinando na treva o absinto dos contatos. Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha, Um por um despojando os fictícios recatos, Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha Fosforescências como a pupila dos gatos.  Tudo em vós flamejava em instintiva fúria. A gargan...

Eu e os poetas do Recife, Chico Science

Chico Science e eu na Rua da Moeda, Recife Antigo Chico Science , criador e maior expoente do movimento Mangue Beat. Macô Chico Science , Jorge Du Peixe, Eduardo Bidlovcki De bamba nada Só queres barbada Tú ta de terno amarelo Porque tá fazendo sol Olha só que cara desarrumado Que chapéu torto Que óculos enfeitado Ô Zé Mané, Ô Zé Mané, Ô Zé Mané, Ô! Macô! De zambo nada tu só quer mamata Tu só quer ficar na minha Porque eu tô de mão cheia Olha só que menina bonitinha Pra poder ficar comigo Tem que saber de cozinha Ô menina, Ô menina, Ô menina, Ô! Macô! De lama nada Segura essa garrafa O Gargalo já tá feito Táis adivinhando cheia Olha pra lá, vira a cara não dá bola Pega uma ficha aí bota lá na radiola Cadê Roger, Cadê Roger, Cadê Roger, Ô! Macô! Macô! De zambo nada tu só quer mamata Tu só quer ficar na minha Porque eu tô de mão cheia Olha só que menina bonitinha Pra poder ficar comigo Tem qu...

Circuito da Poesia, Recife

            No último final de semana, dei início a uma passeada pelo Circuito da Poesia  com a postagem Eu e os Poetas do Recife.  Abracei o primeiro autor do circuito: Antônio Maria e coloquei um texto dele.  Vou repetir o trabalho trazendo um a um todos os artistas homenageados.  Mas, antes vamos saber sobe  projeto Circuito da Poesia: O que é?      Projeto da prefeitura, que colocou estátuas de poetas pernambucanos em diversos pontos no centro da cidade. O projeto que traz expoentes da cultura do estado ficou pronto em 2007. Dá pra fazer todo o percurso a pé. Todos os poetas são do Recife?      Não, mas todos moraram aqui e em algum momento e de alguma forma  dedicaram seu amor à cidade. Quem são eles?   Antônio Maria Joaquim Cardozo, Capiba,Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto,  Manoel Bandeira,  Clarice Lispector,  Mauro Mota,  Chico Science, ...

Eu e os poetas do Recife - Antonio Maria

Amanhecer em Copacabana Amanhece, em Copacabana, e estamos todos cansados. Todos, no mesmo banco de praia. Todos , que somos eu, meus olhos, meus braços e minhas pernas, meu pensamento e minha vontade. O coração, se não está vazio, sobra lugar que não acaba mais. Ah, que coisa insuportável, a lucidez das pessoas fatigadas! Mil vezes a obscuridade dos que amam, dos que cegam de ciúmes, dos que sentem falta e saudade. Nós somos um imenso vácuo, que o pensamento ocupa friamente. E, isso, no amanhecer de Copacabana. As pessoas e as coisas começaram a movimentar-se. A moça feia, com o seu caniche de olhos ternos. O homem de roupão, que desce à praia e faz ginástica sueca. O bêbado, que vem caminhando com um esparadrapo na boca e a lapela suja de sangue. Automóveis, com oficiais do Exército Nacional, a caminho da batalha. Ônibus colegiais e, lá dentro, os nossos filhos, com cara de sono. O banhista gordo, de pernas brancas, vai ao mar cedinho, porque as pessoas da manhã são poucas e ...