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Mostrando postagens com o rótulo dezembro

Nascido em 19 de dezembro: Manoel de Barros

O Fazedor de Amanhecer Sou leso em tratagens com máquina. Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis. Em toda a minha vida só engenhei 3 máquinas Como sejam: Uma pequena manivela para pegar no sono. Um fazedor de amanhecer para usamentos de poetas E um platinado de mandioca para o fordeco de meu irmão. Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias automobilísticas pelo Platinado de Mandioca. Fui aclamado de idiota pela maioria das autoridades na entrega do prêmio. Pelo que fiquei um tanto soberbo. E a glória entronizou-se para sempre em minha existência. Aqui tem mais Manoel de Barros Fonte: Revista Bula O Fazedor de Amanhecer

Nascido em 17 de dezembro: Érico Veríssimo

      As Mãos de Meu Filho       Todos aqueles homens e mulheres ali na platéia sombria parecem apagados habitantes dum submundo, criaturas sem voz nem movimento, prisioneiros de algum perverso sortilégio. Centenas de olhos estão fitos na zona luminosa do palco. A luz circular do refletor envolve o pianista e o piano, que neste instante formam um só corpo, um monstro todo feito de nervos sonoros. Beethoven.      Há momentos em que o som do instrumento ganha uma qualidade profundamente humana. O artista está pálido à luz de cálcio. Parece um cadáver. Mas mesmo assim é uma fonte de vida, de melodias, de sugestões — a origem dum mundo misterioso e rico. Fora do círculo luminoso pesa um silêncio grave e parado.      Beethoven lamenta-se. É feio, surdo, e vive em conflito com os homens. A música parece escrever no ar estas palavras em doloroso desenho. Tua carta me lançou das mais altas regiões da felicidade ao ma...

Presépio, Carlos Drummond de Andrade

Dasdores (assim se chamavam as moças daquele tempo) sentia-se dividida entre a Missa do Galo e o presépio. Se fosse à igreja, o presépio não ficaria armado antes de meia-noite e, se se dedicasse ao segundo, não veria o namorado.       É difícil ver namorado na rua, pois moça não deve sair de casa, salvo para rezar ou visitar parentes. Festas são raras. O cinema ainda não foi inventado, ou, se o foi, não chegou a esta nossa cidade, que é antes uma fazenda crescida. Cabras passeiam nas ruas, um cincerro tilinta: é a tropa. E viúvas espiam de janelas, que se diriam jaulas.      Dasdores e suas numerosas obrigações: cuidar dos irmãos, velar pelos doces de calda, pelas conservas, manejar agulha e bilro, escrever as cartas de todos. Os pais exigem-lhe o máximo, não porque a casa seja pobre, mas porque o primeiro mandamento da educação feminina é: trabalharás dia e noite. Se não trabalhar sempre, se não ocupar todos os minutos, quem sabe de que será capa...

O Estranho Visitante, Regina Ruth Rincón Caires

A cada enxadada, fincando o chão seco, duro e praguejado, o suor escorrendo pelas costas abaixo, sob um sol impiedoso, Gregório, involuntariamente, matuta. Se ao menos essas lembranças o abandonassem um pouco, a força dos braços seria mais viva. Qual o quê? Ferem seu corpo como espinhos, ficam como acordes de tristeza a lhe tocarem a alma. Pensamentos teimosos! Por que não se vão, feito a chuva?! Gregório para um pouco... Tira o chapéu. Os cabelos grudados à testa, o suor caindo-lhe sobre as pálpebras enrugadas. Sente-se um caco! Olha a sua volta, demoradamente, depois ergue seus olhos para o céu. Nada de nuvens! O céu infinitamente azul, e o sol, majestoso, reinando tirano. Tem sede... Olha para a moita de arbustos lá adiante, e sente-se desanimado calculando a distância que o separa da sua moringa. O jeito é arranjar forças pra chegar até lá. Sem água nem é possível pensar, quanto mais continuar! Descansa a enxada sobre o torrão de terra que acabou de revirar e segue em dir...

Descobrindo Olegário Mariano (1)

Morro da Conceição- Recife. Imagem: FolhaPE Dezembro Dezembro é um mês religioso. Sinto Todas as sensações que ele me empresta. Do livro do Passado quase extinto É um pouco de emoção que ainda me resta. Evoca tempo idos... Desenterra Velhas lembranças comovidamente: Dezembro fala ao coração da Terra E a Terra fala ao coração da gente. Rumor lento de sinos! Por que rolas Do alto e vais murmurando pelos valos ? Não perturbes a toada das violas Nem o canto metálico dos galos! Dezembro é um velho cofre de memórias, Cheio de fantasias e de afetos. Ai como bolem na alma as tais histórias Que as avozinhas contam para os netos! Hoje que faz luar e a noite é bela, Alongando os meus olhos à distância, Deixo-me aqui ficar nesta janela Enquanto voa o pensamento à infância... Há vozes, alaridos , algazarras, Expressões de alegria, olhos de espanto: Passam as raparigas ... Falam tanto, Que parecem um bando de cigarras. Olho absorto... A paisagem se assemelha Àquela que eu deixei d...

Horóscopo poético: Capricórnio 22 de dezembro a 21 de janeiro

Capricórnio - Vinicius de Moraes A capricorniana é capricornial Como a cabra de João Cabral. Eu amo a mulher de capricórnio Por que ela nunca lhe põe os próprios. A caprina é tão ciumenta Que até o ciúmes ela inventa. Mulher fiel está aí: é cabra Só que com muito abracadabra. Suas flores: a papoula e o cânhamo De onde vem o ópio e a maconha Ela é uma curtição medonha Por isso nos capricorniamos

Horóscopo poético -Sagitário:22 de novembro a 21 de dezembro

Sagitário Vinícius de Moraes As mulheres sagitarianas São abnegadas e bacanas. Mas não lhe venham com grossuras Nem injustiças ou censuras Porque ela custa mas se esquenta E pode ser muito violenta. Aí, o homem que se cuide... – Também, quem gosta de censura!