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Mostrando postagens com o rótulo Machado de Assis

Carta do Gatinho Preto. De Machado de Assis para D. Alba

          D. Alba,             Só agora posso pegar na pena e escrever-lhe para agradecer o obséquio que me fez mandando-me de presente ao velho amigo Machado. No primeiro dia, não pude conhecer bem este cavalheiro; ele buscava-me com palavrinhas doces e estalinhos, mas eu fugia-lhe com medo e metia-me pelos cantos ou embaixo dos aparadores. No segundo dia, já me aproximava, mas ainda cauteloso. Agora, corro para ele sem receio, trepo-lhe aos joelhos e às costas, ele coça-me, diz-me graças, e, se não mia como eu, é porque lhe custa, mas espero que chegue até lá"."Só não consente que eu trepe à mesa, quando ele almoça ou janta, mas conserva-me nos joelhos e eu puxo-lhe os cordões do pijama.      A minha vida é alegre. Bebo leite, caldo de feijão e de sopa, com arroz, e já provei alguns pedaços de carne. A carne é boa; não creio, porém, que valha a de um camundongo, mas camundongo é que não há aqui, por mais que os...

Uma Ponte Para Machado de Assis, Ruy Castro para a Folha de São Paulo

  O nome, para todos os efeitos, é Ponte Rio-Niterói. É por ela que passamos volta e meia ou todos os dias, para as indescritíveis belezas ou inexplicáveis tristezas do estado do Rio. Mas o nome oficial, impresso nos documentos, placas e sinais, e pelo qual responde no universo paralelo da burocracia, é Ponte Presidente Costa e Silva. O povo, com ou sem memória ou consciência política, encarregou-se de raspar a homenagem ao general da   ditadura militar   em cujo quartel, com trocadilho, ela foi concebida. Nesses 51 anos de sua existência, desde 1974, nunca ouvi alguém dizer: "Você vai pela Ponte Presidente Costa e Silva, vira à direita na saída e pega a estrada para...". A ponte não foi sequer uma  ideia d a ditadura . Já era sonhada desde meados do século 19, quando a tecnologia para construí-la —um longo traço de união sobre a baía de  Guanabara — não existia. Mas, no dia 7 de junho de 1896, em sua coluna na Gazeta de Notícias, um escritor suspirou por ela: "...

Noite de Almirante, conto de Machado de Assis

  Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu do arsenal de marinha e enfiou pela rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, de mais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma longa viagem de instrução, e Deolindo veio à terra tão depressa alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo: - Ah! Venta-Grande!  Que noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva... Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma dessas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Começara a paixão três meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeçada, ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior. A velha Inácia, que...

Uns Braços,conto de Machado de Assis

     Inácio estremeceu, ouvindo os gritos do solicitador, recebeu o prato que este lhe apresentava e tratou de comer, debaixo de uma trovoada de nomes, malandro, cabeça de vento, estúpido, maluco.       — Onde anda que nunca ouve o que lhe digo? Hei de contar tudo a seu pai, para que lhe sacuda a preguiça do corpo com uma boa vara de marmelo, ou um pau; sim, ainda pode apanhar, não pense que não. Estúpido! maluco! — Olhe que lá fora é isto mesmo que você vê aqui, continuou, voltando-se para      D. Severina, senhora que vivia com ele maritalmente, há anos. Confunde-me os papéis todos, erra as casas, vai a um escrivão em vez de ir a outro, troca os advogados: é o diabo! É o tal sono pesado e contínuo. De manhã é o que se vê; primeiro que acorde é preciso quebrar-lhe os ossos.. . Deixe; amanhã hei de acordá-lo a pau de vassoura!       D. Severina tocou-lhe no pé, como pedindo que acabasse. Borges espeitorou ainda alguns...

Um Apólogo, conto de Machado de Assis

      Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: – Por que está você com esse ar, toda  cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?        – Deixe-me, senhora.       – Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.       – Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.       – Mas você é orgulhosa. – Decerto que sou.       – Mas por quê?       – É boa! Porque coso2 . Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?      – Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?      ...

Leitura Com Bial : Dom Casmurro.

Pedro Bial inicia clube de leitura online e gratuito com fãs: 'Vai ser uma onda' No dia 30 de junho, às 20h, o jornalista, escritor e apresentador  Pedro Bial  lança seu novo projeto, o  Leitura com Bial . A iniciativa tem o objetivo de criar experiências em torno da literatura de modo profundo e guiado, entre outros produtos. Para o encontro inaugural, que será online e gratuito, ele escolheu a obra  Dom Casmurro , de Machado de Assis. Afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho? No encontro, Bial propõe discutir a obra publicada há 124 anos e desvendar esse mistério que continua atraindo novos leitores e gerando novas conspirações. Ao lado de Pedro, participam do debate o escritor Sérgio Rodrigues, autor de romances como  O drible  e  A vida futura  (em que o fantasma de Machado visita o Rio de Janeiro do século 21), e a jornalista e roteirista Camila Moraes. Para se inscrever é só  clicar aqui . O Leitura com Bial chega no momento em que as...

Melhores Livros de Cada Estado Brasileiro - Região Sudeste

Recentemente a imprensa divulgou que uma influenciadora americana descobriu Machado de Assis e que a felicidade e comentários dela a respeito de Memórias Póstumas de Braz Cubas, teria viralizado e feito dele  o livro  mais vendido na Amazon americana. Depois disso, 4 professores brasileiros decidiram eleger os melhores livros de cada estado brasileiro. O site G1, divulgou o resutado e eu trouxe para o blog,  dividindo as postagens por região. SUDESTE ESPÍRITO SANTO Obra: Crônicas do Espírito Santo ; 50 Crônicas Escolhidas (1984),   Rubem Braga Sinopse:  Os textos de Rubem Braga, o maior cronista brasileiro, guardam as mais doces lembranças da infância passada no Espírito Santo, quando a natureza era indissociável da vida de um menino. Há também o olhar amoroso do autor sobre os necessitados e esquecidos, mescla de indignação e defesa pela sua terra de origem, tecidos com imenso lirismo.(Amazon) Nota do blog: Rubem Braga tem livro infantil: O Menino e o Tuim , co...

A Carolina, Machado de Assis

Querida! Ao pé do leito derradeiro, em que descansas desta longa vida, aqui venho e virei, pobre querida, trazer-te o coração de companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro que, a despeito de toda a humana lida, fez a nossa existência apetecida e num recanto pôs um mundo inteiro... Trago-te flores - restos arrancados da terra que nos viu passar unidos e ora mortos nos deixa e separados; que eu, se tenho, nos olhos mal feridos, pensamentos de vida formulados, são pensamentos idos e vividos. Sobre Carolina Uma mulher por trás de um gênio. Se houvesse uma biografia da esposa de Machado de Assis poderia ser esta. O livro de Carolina. Sua voz, sua origem, sua ambição. Um romance recheado de correspondências originais, e um toque de requinte em sua construção literária. Fica a imagem de Carolina junto ao escritor: corrigindo seus escritos, transcrevendo-os, vendo-os nascer, hoje, títulos notórios. Seriam as obras de Machado seus filhos não tidos?A portuguesa Carolina Augusta de Novaes Ma...

Machado de Assis, no Itaú Cultural de São Paulo

      Quem estiver em São Paulo não pode perder a  Ocupação Machado de Assis.  Vai até o dia 4 de fevereiro e tem acesso gratuito, sem agendamento e sem necessidade  de pegar ingressos on line. É só chegar.       Vale conhecer ou saber mais sobre o grande escritor brasileiro.         A  Ocupação  traz documentos que contam a vida e a obra do romancista, dramaturgo, poeta, cronista e bruxo (do Cosme Velho), entre manuscritos, primeiras edições dos seus livros, fotos, cartas e itens da biblioteca pessoal de Machado (um escritor se explica por aquilo que lê?). Conta também com leituras de textos seletos do autor, feitas pelas atrizes Aysha Nascimento, Carlota Joaquina e Cleide Queirós e pela cantora Juçara Marçal.      Se ainda não está convencido, dificílimo leitor, advertimos que a mostra reúne algumas das traduções que levaram as histórias de Brás Cubas e Quincas Borba, Bentinho e Capitu ...