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Alma Penada, poema de Ladyce West

Alma penada Não cobri espelhos, não acendi velas Não recolhi fotos, não fiz orações, nem vigília ou velório. Não encaminhei sua alma Não chamei padre, rabino, pastor ou mulá. Não queimei incenso: pois você detestava; mas li para você uma poesia de adeus, de partida e voltei para casa, amortecida. Metade de mim, você levou. Impostora, a que ficou, vagou por aí. Davam-me por viva, imagine... Alma penada que sou. Em: Vozes do Luto: a dor de quem fica . Organização e Ediçao: Monique Machado, Rio de Janeiro, Do livro não me livro, 2024, pág. 132

País Estrangeiro, Lêda Rivas

A vida que passa na rua é história que não vejo A palavra é código, mistério, sem solução, sem remédio A solidão dói na alma Que língua é essa que fala a multidão no meu tédio? Tua ausência faz de mim um país estrangeiro O medo de voar é maior do que a ânsia de tocar as estrelas A própria face se perde na imensidão dos espelhos Que mundo é esse que enxergo na escuridão do degredo? Que rumo é esse que traçam os seres extraterrenos? Que punhal o que me corta, dilacerando-me o peito? Que fogo é esse que arde e me consome por inteiro? Tua ausência faz de mim um país estrangeiro. (Recife, 20 de fevereiro de 1996) Nota: texto e imagem foram gentilmente cedidos por Lêda Rivas