Chove. Os prados, os campos, os telhados, ruas, tudo enfim, banha-se de uma só vez no banho universal da criação. Os trovões sucedem-se e parecem rebolar na serra como um Titã colossal, assustadoramente, num rimbobar alucinante e satânico. O sol deve estar no zênite, pois os ponteiros se cruzam sobre as doze. Mas quem o vê? Ninguém. Só a chuva, fustigante, torrencial, desce das nuvens plúmbeas e compactas que escondem tristemente o azul do céu. Mas apesar de tudo, Luizinho está na rua. Tiritante, com a roupa ensopada em água, colada ao corpo magro, brinca, com os pés molhados sobre a lama fria e pastosa. Na sua casa humilde e sem conforto, sua madrasta, magra e raquítica talvez mais do que ele, fala sem parar. Menino mau! Chovendo, e ele na rua! Também, pouco se importava ela. Se aquele cão morresse, melhor para ela. É um de menos na casa pequena e sem cômodos. Como ela sofria por causa d...
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