Ao organizar minha biblioteca, em desordem total, Carli, que dirigiu o Departamento Cultural da Porto Seguro, encontrou um postal da Muralha da China. Voltei aos 16 anos e às aulas de geografia do professor Walter. Mas como ele estava ali se eu o tinha dado a ele? No científico, final dos anos 1950 em Araraquara, havia um professor que, no último mês antes dos exames, facilitava aos alunos obter uma nota dez máxima, mediante um recurso. Walter Medeiros Mauro, mestre de geografia, prometia a nota a quem trouxesse dez cartões-postais do Brasil ou do mundo. Saíamos pela cidade, batíamos em todas as portas de pessoas que viajavam ou que se correspondiam com o mundo. Sabíamos quem eram porque essas pessoas, ao viajar, faziam questão de anunciar que tinham ido a Veneza, Lisboa, Madri, Paris e havia mesmo um ricão que garantiu ter ido à China. O cartão da China, segundo soubemos, tinha caído nas mãos de Roberto Ramalho. Como? Amigo meu de uma vida, provocava inveja porque t...
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