Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Filosofia

Vamos Pensar? (27) Hannah Arendt

   “Mentir constantemente não serve mais para fazer as pessoas acreditarem em uma mentira, mas p ara garantir que ninguém acredite em nada.” A filósofa alerta para o perigo de uma sociedade mergulhada na desconfiança, onde a manipulação das narrativas não visa apenas enganar, mas anular a própria capacidade de distinguir entre verdade e falsidade. Esse estado de confusão fragiliza os vínculos sociais, mina a ética e abre espaço para regimes autoritários que se alimentam do descrédito coletivo. Mas o que acontece com uma comunidade quando a fronteira entre verdade e mentira deixa de existir? Nesse cenário, a perda da confiança transforma-se em descrença generalizada, tornando os indivíduos incapazes de julgar o que é justo ou injusto. A verdade deixa de ser parâmetro, e o bem e o mal tornam-se categorias maleáveis, moldadas pelo poder de quem controla o discurso. Arendt nos mostra que o maior perigo não é a mentira em si, mas a erosão da confiança pública, que enfraquece a libe...

Se Pudesses, Deverias Frequentar Um Outro Mundo, Francisco Bosco

 Prólogo      Butch Cassidy e Sundence Kid estão em fuga pela mata. A polícia os persegue, com rastreadores, implacavelmente. Os dois fugitivos chegam a um precipício, de onde não podem voltar. Embaixo, muito embaixo, passa um rio. Os poiciais estão a caminho: eles vão chegar. É preciso o salto. Sundence diz: " eu não sei nadar". O abismo, enorme, o medo, a vertigem - só de olhar: Mas é preciso. A  polícia. Não tem volta. "Feche os olhos". Pulam. Lutar     É essa a cena, no amor, que antecede a ruptura e o luto. O pulo é o prólogo do luto. e se é preciso pular é porque não tem volta. A polícia está a caminho. Pode ser que ela nunca chegue, mas ela estará sempre a caminho ( é isso a angústia). pode-se não pular, alguns de fato não pulam nunca, e é possível que a polícia nunca chegue, mas estará sempre chegando. E todos somos como Sundence: não sabemos nadar. O precipício, a concentração das forças, o pulo. Só que ao invés do rio, cai-se em outras paisa...

Espinoza, Machado de Assis

Gosto de ver-te, grave e solitário, Sob o fumo de esquálida candeia, Nas mãos a ferramenta de operário, E na cabeça a coruscante ideia. E enquanto o pensamento delineia Uma filosofia, o pão diário A tua mão a labutar granjeia E achas na independência o teu salário. Soem cá fora agitações e lutas, Sibile o bafo aspérrimo do inverno, Tu trabalhas, tu pensas, e executas Sóbrio, tranquilo, desvelado e terno, A lei comum, e morres, e transmutas O suado labor no prêmio eterno. ( Fonte: blog Antonio Cícero ) Caricatura: Ferré.

Só Eu Que Não Conheço Hannah Arendt!

     Hoje a filósofa e escritora alemã Hannah Arendt faria 108 anos. Eu não conhecia, aprendi agora com o simpático doodle do Google .      Pelo Google fiquei sabendo que o livro mais conhecido dela, A Condição Humana, trata do desenvolvimento histórico da existência humana desde a Grécia Antiga até a Europa.       Existe edição em português de várias outras obras da autora que não gostava de ser chamada de filósofa. Mas era.      Depois de ver este vídeo, tenho de ler Hannah Arendt.

Questão de Pontuação, João Cabral de Melo Netto

Uma biografia. Cartunista:Caulos Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação (dizem: tem alma dionisíaca); viva em ponto de interrogação (foi filosofia, ora é poesia); viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política): o homem só não aceita do homem que use a só pontuação fatal: que use, na frase que ele vive o inevitável ponto final.

Minha Mãe, Padre Daniel Lima

Poemas Minha mãe era feita de incertezas. tecida de solidão de infindas luas. Nunca assentou seu coração viajeiro de medo de esquecer o fim da viagem. Não dormia, sonhava, Vivia os sonhos acordada e louca e amava a vida com tal ódio e paixão, que até se percebia nos seus olhos, nas mãos, nos gestos na vontade de ser e o desespero de não ser nunca e ainda. E eu perguntava coisas E ela não respondia, apenas navegava incertos mares, guiada por estrelas que eu não via. Minha mãe era feita de incertezas mas, por certo, sabia o que queria. (Pe.Daniel Lima, prof. de Filosofia da UFPE, faleceu em abril de 2012 aos 95 anos) ________________________________________________________________________________________