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Mostrando postagens com o rótulo literatura americana

Método Rítmico, poema de Yusef Komunyakaa (USA)

Se você estivesse preso em uma caixa dentro de outra caixa no interior de uma floresta, sem o canto dos pássaro, sem grilos roçando as pernas, sem folhas caindo de galhos manchados, você ainda ouviria o ritmo do seu coração. Uma maré vermelha de peixes encalhados oscila na areia, copulando sob a lua cheia, & nós podemos chamar a isso o primeiro ritmo porque o sexo é o que fez despertar a língua & ensinou a mão a tocar bateria & adotar flautas de bambu antes de serem feitas de madeira & mito. Em cima & embaixo, dentro & fora, o pistão conduz uma casa dos sonhos. A água pinga até esculpir uma xícara em uma laje de pedra. Primeiro, não maior que um dedal, que guarda alegria, mas cresce até medir o ritmo da solidão que derrete o açúcar no chá. Há uma temporada para as cobras soltarem arco-íris na grama, para os gafanhotos cantarem no estrume. Sim, sim, sim, sim é uma confirmação de que a pele canta para as mãos. O Mantra da chuva de primavera abre a rosa & enred...

Morango Sardento, Julianne Moore - o "perigoso" livro infantil banido por Donald Trump

  A atriz norte-americana Julianne Moore estreia na literatura com um livro autobiográfico: Morango Sardento traz a experiência de infância desta ruivinha admirada mundialmente. A edição brasileira conta com a participação de outras duas atrizes importantes: Fernanda Torres assina a simpática tradução e Debora Bloch – que também foi um “morango sardento” – escreveu o texto de quarta capa.   Envergonhada pelo apelido de “morango sardento”, a protagonista do livro experimenta até tomar banho com suco de limão para tentar eliminar suas sardas. A autora conta como fez de tudo para se livrar não só das pintinhas, como da autorrejeição. A ilustradora vietnamita LeUyen Pham acrescenta humor às cenas. Morango Sardento mostra que, para “viver feliz para sempre”, é preciso se aceitar, com suas sardas e seu cabelo vermelho. Afinal, “quem liga para um milhão de sardas quando se tem um milhão de amigos?”. Debora Bloch concorda: “Quando a gente é criança, sempre pensa que é melhor ser difer...

Ainda Assim Eu Me Levanto, ( Still I Rise)Maya Angelou

Você pode me marcar na história Com suas mentiras amargas e distorcidas Você pode me esmagar na própria terra Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar. . Meu atrevimento te perturba? O que é que te entristece? É que eu ando como se tivesse poços de petróleo Bombeando na minha sala de estar. . Assim como as luas e como os sóis, Com a certeza das marés, Assim como a esperança brotando, Ainda assim, eu vou me levantar. . Você queria me ver destroçada? Com a cabeça curvada e os olhos baixos? Ombros caindo como lágrimas, Enfraquecidos pelos meus gritos de comoção? . Minha altivez te ofende? Não leve tão a sério Só porque rio como se tivesse minas de ouro Cavadas no meu quintal. . Você pode me fuzilar com suas palavras, Você pode me cortar com seus olhos, Você pode me matar com seu ódio, Mas ainda, como o ar, eu vou me levantar. . Minha sensualidade te perturba? Te surpreende Que eu dance como se tivesse diamantes Entre as minhas coxas? . Saindo das cabanas da vergonha da história ...

Comecei a Ler: O Povoado, William Faulkner

 Capítulo 1 -  Primeira página Frenchman's Bend era uma área de terra de rios de leito fértil entendendo-se a trinta quilômetros ao sudoeste de Jefferson. Montanhosa remota, definida mas ainda assim sem fronteiras, encravada entre dois condados, a nenhum deles pertencendo, fora  original e lugar de uma formidável plantação antes da Guerra Civil, cujas ruínas - a estrutura destroçada de uma imensa casa com seus estábulos e alojamentos de escravos tombados, jardins, terraços de tijolos e esplanadas cobertas de mato - ainda eram conhecidas como a casa de Velho Francês, embora os limites originais agora só existissem em velhos e amarelos registros no tribunal de condado de Jefferson, e até mesmo alguns dos antigos campos férteis há  muito tinham de novo se convertido na selva de cana e ciprestes da qual seu primeiro senhor os fizer surgir.      Ele possivelmente fora um estrangeiro, não necessariamente francês, pois para o povo que chegara depois dele e qu...

Minha Próxima Leitura: Cavalos Partidos, Jeannette Walls

 Aquelas vacas velhas sabiam, antes de nós, quando ia haver encrenca.      Era um fim de tarde em agosto, o ar estava quente e pesado como costumava ficar na estação das chuvas. Mais cedo, tínhamos visto umas nuvens carregadíssimas perto das colinas Burnt Spring, mas elas foram levadas para o norte. tinha praticamente terminado as tarefas do dia e estava caminhando na direção do pasto com meu irmão, Buster, e minha irmã, Helen, para levar as vacas para a ordenha. Mas, ao chegarmos lá, aquelas meninas estavam agitadas.  Em vez de zanzar em torno da porteira, como sempre faziam na hora da ordenha, elas estavam paradas, de pernas crispadas, rabos esticados, balançando nervosamente as cabeças, tentando ouvir.      Buster e Hele olharam para mim, e, sem uma palavra, ajoelhei no chão e encostei meu ouvido na terra batida. Dava para ouvir um rugido, tão baixo e indistinto que era mais sentido que ouvido. Foi aí que entendi o que as vacas já sabiam: um en...

Poema de Dallas Clayton, tradução/versão: Suzana Valença

VERSÃO EM PORTUGUÊS (Suzana Valença) Ouvi dizer que o futuro é horripilante Com robôs que comem corações pulsantes As pessoas vão se dobrando e caindo E a Terra, em dias tristes, vai submergindo E eu ouvi dizer que o futuro já chegou Por quem fala que conversou Com Deus, em particular Sobre juntar gente para guerrear Ouvi dizer que o futuro é barato De comprar e vender, colhido e plantado Para queimar e quebrar e construir e levar E nem se importar com bagunçar ou guardar Mas eu acredito que o futuro é feliz Que devemos ouvir menos o que se diz E ajudar a curar quem segura nossa mão E ser uma luz na escuridão TRADUÇÃO DIRETA Ouvi dizer que o futuro é sombrio Com robôs que comem corações pulsantes As pessoas vão se dobrando e caindo E a Terra submerge em dias tristes E eu ouvi dizer que o futuro já chegou Por pessoas que falam que ouvem ...

Vou conhecer Flannery O' Connor

  Antes do carnaval recebi esse livro com um aviso generoso: pode passar uns 5 anos circulando entre os leitores do seu grupo. Só peço que me devolva. Não conheço a autora, mas já vi o livro com simpatia. A Luiza, que me emprestou, tem muito bom gosto e insistiu pra que eu conhecesse.   A parti r do dia primeiro de março vou ler os 31 contos do livro começando por  O Gerânio . " O velho Duddley se dobrou na cadeira que pouco a pouco ele vinha moldando à forma de seu corpo e olhou para fora. Fixou-se numa outra janela, a menos de cinco metros, contornada por tijolos vermelhos enegrecidos, para esperar pelo gerânio que ali era posto por volta das dez horas, todas as manhãs, e retirado às cinco e meia. "  ( O Gerânio) E me deixou curiosa sobre essa  cena diária e de horário tão preciso Sobre:  Flannery O'Connor. Já não é tão fácil encontrar livros da autora no Brasil, mas quem tiver interesse pode  procurar  nessas sugestões ...