Aquelas vacas velhas sabiam, antes de nós, quando ia haver encrenca.
Era um fim de tarde em agosto, o ar estava quente e pesado como costumava ficar na estação das chuvas. Mais cedo, tínhamos visto umas nuvens carregadíssimas perto das colinas Burnt Spring, mas elas foram levadas para o norte. tinha praticamente terminado as tarefas do dia e estava caminhando na direção do pasto com meu irmão, Buster, e minha irmã, Helen, para levar as vacas para a ordenha. Mas, ao chegarmos lá, aquelas meninas estavam agitadas. Em vez de zanzar em torno da porteira, como sempre faziam na hora da ordenha, elas estavam paradas, de pernas crispadas, rabos esticados, balançando nervosamente as cabeças, tentando ouvir.
Buster e Hele olharam para mim, e, sem uma palavra, ajoelhei no chão e encostei meu ouvido na terra batida. Dava para ouvir um rugido, tão baixo e indistinto que era mais sentido que ouvido. Foi aí que entendi o que as vacas já sabiam: um enxurrada estava se aproximando.
Assim que levantei, as vacas saíram em disparada, rumando para a barreira sul da cerca. Quando atingiram a altura do arame farpado, pularam por cima - mais alto e com mais precisão do que jamais tinha visto vacas pulando - r saíram desembestadas na direção de terras mais altas.
Achei que seria melhor que saíssemos em disparada também e puxei Helen e Buster pela mão. A essa altura já podia sentir o chão tremendo através dos sapatos...
E assim começa a história da avó da autora que vou começar a ler amanhã. Cavalos de Vidro foi considerado um dos 10 melhores livros de 2009 pelo New York Times.

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