à Rubem Braga O comparecimento de todos os chapéus que tive e usei - não posso precisar se começou no sonho e aí terminou, ou se no sonho teve início e prosseguiu no estado de vigília. Apresentando-se em fila indiana ou em grupos, êsses chapéus se deslocavam com movimentos próprios, o que tornava ainda mais bizarra sua aparição. Os que vinham em grupo voavam baixo num céu de chumbo - céu que se explica na visão onírica pela leitura dos jornais da véspera, carregados mais que nunca de acontecimentos nefastos. E o sonho daquela noite deixara de ser um armistício de repouso. Eu sabia que das peças de indumentária o chapéu é a que mais transforma a figura do homem, a que mais perto priva de sua intimidade -consciência da vizinhança próxima...